sábado, 27 de janeiro de 2024

ARROMBOU A FESTA

Eu tinha 14 anos e já não precisava ir para a cama muito cedo. Também não saía de casa à noite: a era das festinhas de dança só começaria muitos meses depois. Essa conjunção de fatores permitiu que "O Rebu" se tornasse a única novela que eu vi do começo ao fim, sem perder um único capítulo. E que novela! Depois de chacoalhar a teledramaturgia brasileira com "Beto Rockefeller", o autor Bráulio Pedroso propôs algo ainda mais revolucionário. "O Rebu" era contada em três tempo diferentes: antes, durante e depois de uma festa de grã-finos em que acontece um crime. O mistério não era só saber quem matou, mas também quem morreu. Sem nunca ter frequentado a alta roda feito Gilberto Braga, Bráulio pintou um retrato mordaz da alta sociedade brasileira. E abordou a homossexualidade sem rodeios: o anfitrião Konrad Mahler, feito pelo maravilhoso Ziembinski, tinha em casa um rapaz teúdo e manteúdo, o oportunista Cauê. Durante a festa, diversos casais se separam, e duas mulheres vão embora juntas dispostas a unir as escovas de dentes. Não sei como a censura deixou passar tanta coisa, pois até eu, no começo da adolescência, entendi perfeitamente o que se passava. Agora "O Rebu" está de volta, dentro do projeto "Fragmentos" do Globoplay. Sobraram só dois capítulos inteiros, o primeiro e o 92, mas que já servem para dar um aperitivo. E também para mostrar que o lindo Buza Ferraz, que vivia o Cauê, era péssimo ator, e que o estilo do diretor Walter Avancini, tido na época como genial, hoje está ultrapassado. De qualquer forma, a versão original é muito melhor que o remake de 2014, que não entedeu xongas da ideia original e, por isto mesmo, não teve a menor repercussão.

13 comentários:

  1. Eu gostei do remake de 2014.

    Sophie Charlotte esteve ótima.

    Mesmo o remake não sendo revolucionário como o de 1974.

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    1. Concordo contigo,eu também gostei do remake.Abs.

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    2. não convivi com a elite da rapina como o Tony mas muita coisa mudou desde os anos 70 e o fundamentalismo religioso atingiu até a alta classe, eles estão mais raivosos e menos conformados com o acesso a informação e educação do povo é tipo o odio contra Evita espalhado por cada cidadão que leu um livro na vida. Veja a operação da ABIN isso sem duvida acontece durante anos...

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  2. Um monte de gente indo embora da festa, com o cadáver ainda boiando na piscina, antes da chegada da polícia e da perícia técnica kkkkkkkkkkkkk Só em NOVELA mesmo, né ?

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  3. Aos 14 anos eu já odiava a rede globo, a manipulação e a situação do Brasil era pessima anos 90, sinto nojo. Fui uma ado rebelde gostava de rock enquanto as amigas de britney spears, escutava bandas independentes. E já entendia o problema do país. Eles cavaram a ultima cova no golpe contra a Dilma.

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    1. 11:39 E alguém aqui está interessado na sua vidinha medíocre e insignificante, cara babaquinha ? Vai te catar.

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    2. 00:19-Tua resposta medíocre mostra que o 11:39
      está coberto de razão.Vá pro inferno.

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    3. Se está na Constituição, não é golpe. Foi uma sacada gem, mas não foi golpe.

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    4. Foi um golpe moderno-sem precisar colocar um cabo
      e um soldado,mesmo.E com o apoio da imprensa,
      igual naquele golpe que tinham coronéis e generais.

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  4. Emocionante rever, aos 0:45 segundos do trailer, a belíssima ISABEL RIBEIRO, contracenando com Mauro Mendonça. Uma das mais belas e talentosas atrizes brasileiras. Morreu precocemente, em 1990, aos 48 anos de idade, de câncer de mama. Foi casada com o galã Altair Lima, com quem teve três filhos. Uma atriz dos tempos de ouro do teatro e da televisão brasileira.

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  5. Sonho todos os dias para que disponibilizem a primeira versão de Saramandaia. Será que sobreviveu?

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    1. 22:33 Não sobreviveu não. Só uma coisinha aqui e outra acolá.

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