segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

REDESCOBRIRAM A POÇÃO MÁGICA

Na Europa é possível ser roteirista profissional de HQs, pois os leitores levam a sério as bandes dessinées. Qualquer livraria tem uma seção recheada de álbuns de capa dura, de todos os gêneros, e alguns deles vendem alguns milhõezinhos de exemplares. E o maior roteirista de quadrinhos de todos os tempos foi René Goscinny, de cuja cabeça vieram, entre outros, Asterix, o cowboy Lucky Luke, o Pequeno Nicolau e o grão-vizir Iznogud, cujo bordão delicioso é "eu quero ser califa no lugar do califa". Goscinny morreu em 1977, com apenas 51 anos, e o desenhista Albert Uderzo resolveu tocar sozinho as aventuras de Asterix. Por mais que ele conhecesse o irredutível gaulês, a qualidade das histórias despencou. Uderzo morreu em 2020, e não fez como Hergé, que proibiu qualquer nova aventura de Tintin. A editora Dargaud contratou novos roteiristas e desenhistas para dar prosseguimento a Asterix, mas nenhum dos novos álbuns chegou aos pés dos clássicos dos anos 60 e 70. Agora certaram a mão. "L'Iris Blanc" (O Lirio Branco) é a primeira aventura do gaulês escrita por Fabcaro (ou Fabien Caro), que nasceu apenas quatro anos antes da morte de Goscinny. É o primeiro álbum sem os autores originais que parece ter sido feito por eles, com desenhos impecáveis e um humor cheio de referências contemporâneas. A trama tira sarro da atual onda de "coaches de vida",  e se passa num lugar pouco explorado em histórias anteriores: Lutécia, ou seja, Paris. Já é um best-seller na Europa, e deve sair em breve no Brasil.

2 comentários:

  1. Aqui, ainda falta sair "Asterix e o Grifo" para, depois vir esse. Ah... eu gostei de "La fille de Vercingetorix". Ousado ela ter sido adotada por dois pais, não?

    ResponderExcluir