sábado, 11 de novembro de 2023

VÁRIAS LUZES

O Festival Varilux de Cinema Francês costumava ser em junho. Este ano, só para me aporrinhar, ele acontece em novembro, quando aind anem me refiz da Mostra e em pleno Mix Brasil. Mesmo sabendo que todos os filmes irão entrar em cartaz, já fui ver três. O primeiro, "O Livro da Discórdia", é uma boa comédia sobre um escritor de origem argelina que escreve um livro semi-autobiográfico. O problema é que os pais do cara nem podem desconfiar disso, pois vão se identiicar com os personagens - versões bem pioradas dele mesmo. Boa parte da ação é gasta na tentativa de esconder a existência do livro, que obviamente se torna um best-seller e ganha o mais importante prêmio literário da França. O protagonista não chega a amadurecer completamente, mas até que dá para dar umas risadas. 
Os distribuidores brasileiros costumam dar pirouettes para incluir "Paris" no título de qualquer filme francês. Aí, quando surge um que já tem Paris no nome, eles estragam a tradução. "Memórias de Paris" dá a entender que a protagonista foi embora da capital, apesar de ter bons motivos para isto. Ela é uma sobrevivente dos atentados terroristas a várias casas noturnas no final de 2016, e o trauma a impede de seguir com a própria vida. Virginie Efira finalmente ganhou o César de melhor atriz pelo papel desta mulher que se sente confusa, envergonhada, machucada e aliviada, tudo ao mesmo tempo.
"Maestro(s)" tem uma premissa genial. Pai e filho são regentes de música clássica. O mais velho se ressente do mais novo, que tem uma carreira muito mais bem-sucedida. Ele então recebe um convite para reger a orquestra do La Scala de Milão, um de seus sonhos. Acontece que foi um engano: queriam mesmo o filho, não o pai. Mas este conflito interessante é estragado pela realização. Para começar, o pessoal do La Scala deixa para o filho resolver o problema, que não foi ele quem criou. E o final inverossímil só vai agradar a quem tem o coração mole. Como eu sou frio e calculista, detestei.

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