quinta-feira, 16 de novembro de 2023

ESCONDE-ESCONDE

Eu me tornei súdito de Isabelle Adjani na Mostra de Cinema de 1984, quando a vi completamente nua e asbolutamente desencanada em "O Verão Assassino". Ali estava uma das maiores atrizes do mundo no auge da beleza, já com um prêmio César e uma indicação ao Oscar no currículo, rebolando a bunda como se nada. Depois passei a devorar qualquer flme dela que me passasse pela frente: "Obsessão", "Ronda Mortal", "Que Figura, Meu Pai", "Antonieta", "Subway"... Adjani filmava muito no começo da carreira, mas diminuiu o ritmo para ter um filho do fotógrafo Bruno Nuyttem, Nesse ínterim, resolveu cantar. Os franceses adoram que suas estrelas emitam trinados, mesmo que elas desafinem ou não tenham voz como Adjani. E mesmo assim ela conseguiu lançar em 1985 um álbum só com canções inéditas de Serge Gainsbourg. Le Beau Serge costumava compor para a mulher que estivesse comendo no momento, então, façamos as contas. Eram músicas quase todas boas, muitas delas estragadas pelo fiapo de voz da musa. Isabelle levou ao paroxismo o estilo sussurante de Brigitte Bardot e Jane Birkin, atrizes que só começaram a cantar quando se aproximaram de Serge. Incapaz de atingir notas altas, sua interpretação é cheia de suspiros e tremeliques que passam uma sensação de extrema fragilidade, diferente da fibra das heroínas trágicas que ela costuma encarnar nas telas. Depois de décadas lançando apenas singles avulsos e feats. nas obras de outros artistas, eis que ela ressurge com um álbum completo de título ambicioso: "Adjani, Bande Originale" (trilha sonora), O problema já começa pela capa, onde ela esconde um lado do rosto com as mãos. Essa brincadeira de não se revelar por inteira ao 68 anos de idade já deu. Mas o álbum em si tinha tudo para ser um dos melhores do ano. Repertório escolhido a pinça, arranjos que misturam orquestras, eletrônica e influências japonesas, e uma lista de convidados que inclui Benjamin Biolay, Etienne Daho, Seal, Youssou N'Dour, Simon Le Bon, David Sylvain e outos menos conhecidos no Brasil. O lead single também é a melhor faixa: a suavemente dançante "Les Courains d'Air", um dueto com Gaëtan Roussel, em cujo vídeo nenhum dos dois aparece. Isabelle Adjani precisava literalmente, encarar a própria idade. E também fazer aulas de canto, que fizeram milagres por Madonna. Só assim sua emissão vocal será digna de suas ambições.

6 comentários:

  1. Madonna não fez aulas de canto. Ela comprou uma garganta nova.

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  2. Tecnopop cafona dos anos 80. Algum adolescente deve ter cometido essa música na sua casa em dez minutos com algum software gratuito.

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    1. Cafona é sertanojo e funk metido a empoderada-
      isso,sim.E A CAPA É MUITO,MAS MUITO SEXY!!!!!

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  3. O Mio Babbino Caro
    Depois de vc acabar com ex linda Adjani, deixa eu te falar uma coisa.
    Não acredito que você não esteja desfrutando da excelente seleção de filmes que nosso querido, André Fischer selecionou para o 31° Mix Brasil.
    Ontem mesmo me deliciei com a maravilhosa Biografia de Jean Genet... digo "PARAISO", com inúmeras referências. Até a possibilidade da homoafetividade no Islã pelos versos de Rumi e a dança dos Sufis vindos da Tunusia. Lindo!

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  4. Não conhecia e seguirei sem conhecer...
    Mentira, eu gostei.

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  5. A música francesa é, de longe, a mais BREGA do Planeta Terra. É uma música CONSTRANGEDORA, daquelas de cobrir o rosto com um saco de papel de pão, com dois furos na altura dos olhos.

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