domingo, 19 de novembro de 2023

DOMINGO ESPETACULAR

Entrevistei o Colman Domingo duas vezes. A primeira foi em Austin, nos EUA, e a segunda em São Paulo, sempre em função do papel que ele fazia em "Fear the Walking Dead". Para mim ele era só mais um ator de série, mas desde então o cara vem acumulando créditos e elogios. E agora Colman está sendo cotado para o Oscar de melhor ator por "Rustin", que já chegou à Netflix. Ele realmente está bem, embora um pouco exagerado para o meu gosto. Talvez porque quisesse retratar um personagem maior que a vida, exuberante e sem papas na língua. E injustamente esquecido: Bayard Rustin foi um dos nomes mais importantes do movimento pelos direitos civis que chacoalhou os Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960, e uma espécie de mentor de Martin Luther King. Era adepto da não-violência, apesar de ter apanhado muito da polícia e perdido vários dentes. Também era gay assumidérrimo numa época em que quase ninguém era. Talvez por isto nunca tenha recebido sequer o devido reconhecimento de seus pares, o que dirá da história. Mas seu grande feito foi um divisor de águas. Foi ele quem liderou a organização da Marcha sobre Washington de 1963, em que 200 mil pessoas foram pressionar o Congresso pela aprovação de leis que proibissem a discriminação racial (conseguiram!). Essa figura crucial agora é resgatada por este longa produzido por Barack e Michelle Obama, e que tem um panteão de atores negros no seu elenco. Infelizmente, nem todo mundo está bem: Chris Rock, com maquiagem de envelhecimento digna de peça escolar, parece mais estar participando de um esquete do "Saturday Night Live". "Rustin" é meio esquemático e não chega a ser um grande filme, mas seu protagonista merece ser lembrado.

Um comentário:

  1. "Talvez por isto nunca tenha recebido sequer o devido reconhecimento de seus pares, o que dirá da história."
    Uma vez li em um comentário no instagram, feito por alguém cujo perfil parece sério, que o esquecimento dele não se deve só a homofobia, mas tb pelo fato dele passar a flertar com dogmas da direita americana depois do "conseguiram!", como por exemplo, a falácia da meritocracia para quem está partindo de pontos sociais distintos.

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