sexta-feira, 13 de outubro de 2023

A CURA GAY MATA

Não que a gente já não soubesse. Nos EUA, onde "clínicas de reorientação sexual" ainda são permitidas em diversos estados, a cura gay deixa um rastro de morte e desespero há muito tempo. Aqui no Brasil elas não existem formalmente, apesar dos esforços dos teocratas para legalizar esta loucura. Mas igrejas evangélicas prometem tirar o demônio da viadagem de dentro de seus fiéis, e dezenas de jovens que tiveram o azar de nascer em famílias fanáticas são submetidos a esta tortura psicológica todos os anos. Tem quem não resista. Foi o caso de Karol Eller, que se matou ontem, apenas um mês depois de anunciar que iria deixar de ser lésbica com a ajuda de um pastor charlatão. Já tem gente passando pano alegando que ela sofria de grave depressão, o que deve ser verdade: é o caso de quase todos que se matam. Mas, pelo jeito, não foi uma boa ideia colocar uma mulher deprimida, que não aceitava a si mesma e buscava aprovação justamente entre nossos piores inimigos, em contato com figuras nefastas como Edaír Biroliro, Nikolas Ferreira e Marco Feliciano. Que sua morte não seja em vão, e ajude a denunciar esses criminosos que acham que sexualidade se troca como se fosse uma roupa.

8 comentários:

  1. nossa, que tristeza. sinto uma pena profunda dessa menina, tão jovem. imagino a angústia dentro dela

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  2. Triste fim. Qualquer pessoa vai ficar deprimida se ela não se aceitar do jeito que é.

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    1. Isso. Basta eu me lembrar da minha adolescência e o início da minha vida adulta, e sempre que leio relatos isso parece transpasssar a comunidade LGBT.

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  3. Eu a conheci há duas semanas, em um bar e eu estava com um casal de amigos. Chegamos e conversamos numa boa, eu deixando claro que eu era completamente antibolsonarismo e assumido.
    Ela foi super respeitosa e trocamos horas de ideia, ela explicando que sofreu muito em terminar com a namorada, deixar a bebida e cigarro etc… Ela tava claramente sofrendo com sua renúncia mas com muita fé que iria conseguir… não tenho ódio, somente pena…

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  4. Tony, primeiro cabe salientar que embora depressão seja de fato a maior causa de suicídios, ela tá longe de representar “quase todos os casos”. O uso abusivo de substâncias (álcool incluso), por exemplo, responde por uma parcela enorme de pessoas que se matam.
    Mas o ponto principal aqui é que a depressão não é, como muita gente acredita, uma mera questão individual decorrente de um suposto mal funcionamento do cérebro.
    A depressão, assim como quase a totalidade dos ditos transtornos mentais, é multifatorial. Existe uma correlação fortíssima entre depressão e, por exemplo, abuso sexual na infância. Outra correlação relevante é com o sentimento de vergonha decorrente de humilhações e inferiorizações, tipo… sofrer homofobia.
    Em resumo, a possível depressão dela muito provavelmente foi decorrente de um ambiente extremamente hostil à livre expressão da sua sexualidade. Homofobia não mata só com pauladas e lampadadas.

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    1. Falar em depressão é passar pano,como
      escreveu o Tony.Ela não sofreu abuso
      nenhum de infância-ela acreditou nessa
      palhaçada de "cura gay",mesmo.

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  5. O Mio Babbino Caro
    Esse Senhor ao lado dela não é imputável. Sob o Manto dos ensinamentos de Cristo esse Senhor me faz crer que existem de fato ateus e pessoa que não temem a Deus e paradoxalmente dançam com o Barzabu ou Cramunhão, Rincha-Mãe ou Temba. E a Compaixão abandonada na primeira esquina.

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  6. E qual seria a relação entre a depressão e a sexualidade? Deve haver algum estudo a respeito... No entanto, posso afirmar que a depressão, embora química, é resultado direto dos pensamentos que se têm. Pensamentos de desvalorização, de autocrítica, de desajuste à vida são a base da depressão, falo por mim e por familiares que, sim, chegaram ao suicídio.

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