terça-feira, 15 de agosto de 2023

MILEI UMA NOITES

A ditadura militar argentina terminou com a economia do país em frangalhos e uma derrota fragorosa na 'Guerra das Malvinas. Mesmo os jovens que não viveram aquela época cresceram com horror aos milicos, como eles também são chamados por lá. Mas a cambada de farda pode voltar ao poder embutida na campanha de Javier Milei, cujo personagem alucinado encantou quase um terço dos eleitores nas PASO, as primárias que abrem a campanha eleitoral. A vice de Milei é filha de um general e negacionista dos crimes cometidos pela ditadura, então nem venham me dizer que Milei não é "exatamente" de extrema-direita, como parte da imprensa já está fazendo. É claro que é. Também é um palhaço profissional, que investe no folclore de não pentear o cabelo desde os 13 anos, de se comunicar telepaticamente com seu cachorro morto ou de não tomar uma só decisão sem se orientar pelas cartas do tarô. Até aí, zuzo bem. Grave mesmo é autorizar o livre comércio de órgãos humanos (já pensou, o que vai ter de gente acordando na proverbial banheira de gelo?) ou extinguir a educação ou a saúde públicas. Soa muito modernex para alguns, mas é o capitalismo em seus primórdios, no século 16, quando valia tudo porque não existia nenhuma regulamentação. A única esperança agora é que a direitista Patricia Bullrich passe ao segundo turno (ou ballotage, como se diz lá), e não Sergio Massa, ministro da Economia de Fernández. Caso contrário, a direita toda se unirá a Milei, e a Argentina terá muito mais do que mil e uma noites de escuridão.

9 comentários:

  1. "Mesmo os jovens que não viveram aquela época cresceram com horror aos milicos, como eles também são chamados por lá."

    Vou discordar, como discordei em um outro post seu sobre os jovens de hoje terem a mente mais aberta. Desconfio que uma parte significativa do eleitorado jovem da Argentina apoia esse "Buezo" deles pelo que pude apurar. Tipos assim tendem a ser populares entre os mais jovens ávidos por mudanças. Parte de sua equipe, inclusive é formada por jovens rapazes com cara de motorista de Uber.

    Agora, Tony, uma pergunta: você acha que se Trump ganhar as eleições nos EUA poderá fazer aliança com a Argentina sob o comando desse cara para tentar prejudicar o governo brasileiro de alguma forma?

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    1. Isso mesmo:essas primárias são pura
      encenação.O Milei é uma mistura de
      Maluf com Russomano:ganha como
      nunca e perde como sempre.Quem tem
      chance é a direita de Patricia Bullrich.

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  2. Esse discursinho de ancap (anarcocapitalista) é bem de farialimer e de pobre de direita. Deixa o mercado se regular pela oferta e procura e presença mínima do estado. Só que não, né? Vai depender da saúde pública nos Estados Unidos ou da iniciativa privada no fornecimento das vacinas na pandemia, por ex. No mundo real das pessoas comuns, a gente sabe que se depender do mercado, pobre não tem saúde, segurança transporte e educação. Lazer e cultura então são considerados supérfluos.

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    1. 21:11-Nossa imprensa tá levando a
      sério uma primária que mais parece
      um teatrinho(não estou ofendendo o
      teatro).Este sujeito da foto é um
      espantalho de roça que pensa estar
      numa daquelas ditaduras africanas
      que tem por aí.A direita pode vencer
      estas eleições-mas não será com ele,
      mas com "ela".Você falou por mim.Att.

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    2. 22:30 Dizia-se o mesmo sobre Trump e ele chegou a presidência e quase destruiu a república americana. Dizia-se o mesmo de Bolsonaro (inclusive o próprioTony afirmou aqui que ele não ganharia a eleição), e no entanto ele chegou a presidência e quase destruiu a república brasileira

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    3. 22:30-Primária argentina é um teatrinho
      inventado pra animar jornalista que não
      tem o que fazer.Trump só venceu no
      voto indireto,no direto,ele se ferrou.E a
      Noiva do Aristides perdeu em todo o NE,
      além do Tocantins e do Pará.

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  3. Fico imaginando o mercado de venda de órgãos . Aqui em SP, eu tinha um plano de saúde que dava direito ao Laboratório Fleury, tido como referência em tecnologia e atendimento principalmente para o público com mais dinheiro. Lá dentro tinha praticamente uma lanchonete para os clientes comerem à vontade após os exames. Na mesma época eu era doador de sangue frequente em um banco de sangue na região da av. Paulista. Eu saía de casa,gastava o meu dinheiro com condução e doava o meu tempo além do meu sangue. O agradecimento? Tinha uma cozinha que tbm era usada como depósito e na geladeira tinha um aviso aos doadores que o sanduíche horroroso oferecido por eles era "limitado " a um por pessoa!

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