sábado, 24 de junho de 2023

RAINHA BRASILEIRA

Já faz quase um ano e meio que Elza Soares morreu, e no entanto, para abusar do clichê, ela continua viva. Ontem foi lançado "No Tempo da Intolerância", seu derradeiro álbum de estúdio. O quarto trabalho que ela desenvolveu com um time de produtores, que rejuvenesceu seu repertório e lhe trouxe uma relevância, nos últimos anos de vida, que ela não tinha desde a década de 1970. Ouso dizer que é até melhor que o baalado "A Mulher do Fim do Mundo". Talvez porque seja menos estridente, menos apocalíptico, mais otimista. É um disco curto: são apenas 10 faxas, uma das quais é um breve discurso, e dura pouco mais que meia hora - mesmo assim, quase o dobro do brevíssimo "Noitada" da Pabllo Vittar. As mulheres predominam na autoria das composições, todas inéditas, e as músicas não têm espaço entre uma e outra - eu adoro quando uma delas, de repente, se transforma na seguinte. Todas são boas, mas duas se destacam. "Te Quiero" é um bolero moderno, que Elza canta com a fissura de uma menina. E "Rainha Africana", cuja letra Rita Lee adiantou em seu livro "Outra Autobigrafia", era para ser uma marchinha, mas um épico arranjo de cordas a transformou numa sinfonia. Às vezes a voz de Elza dá sinais de cansaço, algo normal para uma nonagenária, mas jamais perde a beleza. Ela se foi no auge, que, para sorte de todos nós, continua.

Um comentário:

  1. Não sei o que o Tony acha da canção da
    Elza,a Maria da Vila Matilde,é muito boa
    pra cacete.E muito atual.

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