terça-feira, 20 de junho de 2023

O MOZART NEGRO

Eu nunca tinha ouvido falar em Joseph Bologne até surgir sua cinebiografia, "Chevalier", disponível na plataforma Star+. O próprio filme conta que ele sofreu um processo de apagamento deslanchado por Napoleão Bonaparte. O imperador francês carregará pela eternidade a infâmia de ter reinstaurado a escravidão nas colônias de seu país, depois de ela ter sido abolida pelos revolucionários. Interessava ao sistema divulgar a mentira de que os negros são uma espécie sub-humana, incapaz de produzir um gênio da música como Bologne. Filho de um fazendeiro branco com uma escravizada negra, o cara nasceu na ilha de Guadeloupe, no Caribe. Jamais foi reconhecido como filho legítimo pelo pai, mas este pelo menos o levou a Paris, onde o garoto desenvolveu seus dons musicais. Muitas de suas obras não sobreviveram, mas o que sobrou faz com que alguns críticos o chamem de "Mozart negro". Agora, boa parte do filme me parece fantasiosa. Acho muito improvável que Maria Antonieta se abalaria no meio da noite, em meio ao furdunço pré-queda da Bastilha, para dar um recado pessoalmente ao jovem compositor, sagrado por ela como Chevalier de Saint-Georges. Outros exageros pipocam aqui e ali, como a redescoberta de suas raízes africanas pelo protagonista, sob medida para a sensibilidade das plateias atuais. Tudo isso faz com que "Chevalier" seja menos do que promete, e que Jospeh Bologne ainda não ganhou um filme à altura de sua importância.

3 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    Não duvide daquilo que "MOZART" é capaz a qualquer tempo.
    E estou falando como nunca falei aqui.

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  2. Anglo-saxão ama retratar a Marie Antoinette como uma pobre vitima estrangeira na cruel sociedade francesa, né? :) Enfin...

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    1. Sim,a França depois dela aconteceu
      a República do Terror,né?kkkkkkkkkk

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