quarta-feira, 12 de abril de 2023

BRIITISH AIRMOVIES

Acho incrível uma passagem com conexão ser mais barata do que uma passagem com voo direto. Gasta-se mais quilometragem, combustível e tempo, e ainda assim cobra-se menos. No nosso caso, voltamos de Paris de British Airways, trocando de avião em Londres. E a minha viagem teve um sabor marcadamente britânico, porque assisti a bordo dois filmes rodados no Reino Unido que ainda não chegaram ao Brasil. O primeiro deles, "Living", foi indicado a dois Oscar: melhor ator para Bill Nighy e melhor roteiro adaptado para o nipo-britânico Kazuo Ishiguro, prêmio Nobel de Literatura. Apesar de se passar em Londres nos anos 1950, o longa tem mesmo  um certo clima japonês, por causa do estoicismo e da compostura do protagonista. Nighy vive um funcionário público que jamais manifesta a menor emoção, até o dia em que recebe um diagnóstico de câncer terminal.  Com apenas alguns meses de vida, ele resolve agir diferente, mas não muito. Nada de sair beijando desconhecidos na boca ou estourar o  limite do cartão de crédito. "Living" talvez seja comedido demais para uma drama queen  como eu, chegada a um melodrama.
Gostei mais de "Império da Luz", que chegou a ter anunciada sua estreia nos cinemas brasileiros e foi indicado ao Oscar de melhor fotografia. O novo filme de Sam Mendes traz mais uma grande atuação de Olivia Colman, uma atriz a quem eu jamais perdoarei por ter roubado o Oscar de Glenn Close. Ela faz uma solteirona que tem um problema mental não especificado, imagino que seja a bipolaridade. e trabalha num cinema gigantesco em Brighton, o mais famoso balneário britânico, no início dos anos 80. Sua vidinha modorrenta é agitada pela chegada de um novo funcionário, um rapaz negro, e os dois engatam um casinho. Graças a ele, a protagonista também descobre que o racismo existe. E, assim como Bill Nighy em "Living", ela também percebe que a vida é para ser vivida com leveza. Mas algo parece forçado neste drama, que também se pretende um hino de amor ao cinema. O desfecho é um pouco feliz demais, dadas as circunstâncias dos personagens. De qualquer forma, elenco e fotografia são mesmo excepcionais. E foi assim que aterrissei no Brasil.

Um comentário:

  1. Living é um remake do Ikiru do Kurosawa, talvez por isso o tom oriental acentuado.

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