segunda-feira, 20 de março de 2023

PARIS ESTÁ UM LIXO

François Mitterrand, que foi presidente da França entre 1981 e 1995, deixou um presentinho para seus conterrâneos que também é uma bomba-relógio. O socialista baixou a idade da aposentadoria de homens e mulheres para apenas 62 anos, uma das mais baixas do mundo. Os franceses, que apreciam como nenhum outro povo os prazeres da vida, adoraram. A medida deu a eles 20 ou mais anos de desfrute, antes da decadência inevitável. O país ainda nem tem um rombo na Previdência como o Brasil, mas quer reformá-la antes que surja o problema. Uma das medidas propostas por Emmanuel Macron é elevar a idade de aposentadoria para 64 anos, ainda inferior às de todos os vizinhos europeus. O resultado são protestos que se tornaram violentos e uma greve de lixeiros que emporcalhou Paris. Hoje Macron escapou de duas moções de censura que poderiam até acabar com seu governo. O menino-prodígio do Palácio do Elysée não tem lá muita sensibilidade social, mas é infinitamente melhor que sua rival da extrema-direita, Marine Le Pen. Mas é em parte pela pressão dos eleitores dela que as leis de imigração não são mudadas também, o que ajudaria a economia francesa. Por enquanto, o impasse continua. Pelo menos até o Fernando vir nos comentário explicar o que deve ser feito.

18 comentários:

  1. O caso do lixo é bem politiqueiro.
    A prefeita de Paris deixou isso
    acontecer pra encher o saco do
    Macron-igual o Alckmin que deu
    todo o apoio pra aquele protestinho
    golpista contra Dilma na Paulista
    quando foi governador de SP.

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    1. "protestinho" com UM MILHÃO e QUATROCENTAS mil pessoas na rua, a maior manifestação política de rua da História do Brasil. Só vc e a PETRA COSTA não viram.

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  2. Tony elitista acreditando na lorota que nossa previdência e deficitária.

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    1. é só fazer as contas, começa aí com um lápis e calculadora.

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    2. O cidadão pobre francês morre entre 55 e 60 anos de idade. A reforma é para atingi-lo mesmo, já que quem chega até os 80 anos de idade não depende mesmo do INSS. É só fazer as contas.

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    3. 11:08-Falou tudo!!!!!

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  3. sim, até porque ninguém merece uns aninhos de descanso né, tem que se matar de trabalhar até a morte... sem falar que só quem tem dinheiro e condições de se cuidar que chega aos 60 em boa saúde...

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  4. Quero ver como as coisas vão estar da a uns 40-60 anos. População jovem será bem menor que agora.
    E muitos idosos não terão uma aposentadoria porque só trabalharam como PJ, freelancer, youtuber, ou autônomo.

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  5. O Fernando é sua Ilze Scamparini.
    Acho chic.

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  6. Tem muita lenda nessa história do francês que sabe, como nenhum outro povo do planeta, desfrutar os prazeres da vida. Nesse quesito os itde alianos e os espanhóis superam em muito os franceses. Quer ver outro mito ? O de que os franceses são LATINOS kkkkkkkkkkk Isso é uma PIADA de mau gosto. Francês fala uma língua neo-latina, e só. Tem ZERO

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    1. Os franceses são latinos-a diferença
      é que são um pouco melhores que
      nossos latinos-e fingem que gostam
      de futebol.kkkkkkkkkkkkkk

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  7. Tony,
    O que torna o francês cada vez mais aflito é o chamado "Chômage de longe durée". Todo mundo sabe que é insustentável o esquema de retraites, mas ninguém oferece solução para o etarismo que coloca para fora a mão de obra qualificada e que não vai encontrar mais emprego por ser velha.

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  8. Hahahaha. Gargalhei alto quando li a menção à moi, numa fila de embarque no aeroporto de Sevilha, enquanto eu tentava encontrar razões para não começar para cair no choro ao voltar para o "50 tons de cinza" do março parisiense depois de uma semana de felicidade, sorrisos e sangrias sob o sol andaluz. ;) Valeu a pena por isso, obrigado.

    Eu reforma das retraites? Oulala. Eu sou favoravel. Muito provavelmente por ser brasileiro e por

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  9. (continuação, o comentário foi publicado por acidente ;D)
    ... o ter um referencial BEM pior. Mas entendo e compartilho facilmente a revolta popular com a qual o debate social foi (ou melhor, não foi) conduzido. Tudo culminando com a violência do 49.3.

    Antes de tudo, por favor, eu PRECISO desmistificar um dos maiores mitos, um dos grandes símbolos do french bashing da imprensa britânica e americana, replicado para os quatro cantos do mundo e que eu respondo com uma bufada e virada de olho que quase me deixam cegos: o de que francês não trabalha.

    Sim, as leis laborais francesas são mais favoráveis do que as inglesas, alemãs ou holandesas. 5 semanas de férias, jornada semanal de 35 horas, seguro desemprego por 2 anos e alta estabilidade no emprego. Mas o que me deixa puto é que raramente se fala no que acompanha isso. A França sustentou durante décadas uma das maiores produtividades do trabalho do mundo desenvolvido, somente sendo superada pela Alemanha recentemente e MUITO maior do que a britânica ou japonesa (em termos de GDP PPP por hora trabalhada). O que isso se traduz na vida real? Um ambiente de trabalho onde pressão para produzir muito e trabalhar até tarde é a norma. Tirando vendedores de loja, garçons e outras profissões non-cadre, eu não conheço ninguém que trabalha as 35 horas oficiais (aliás, quer saber a razão pela qual o garçom do restaurante que você visitou em Paris te tratou mal enquanto você hesitava qual prato pedir? Da uma olhada ao redor e vê quantos garçons o restaurante tem. Até hoje me impressiona ver um Belmonte carioca com uma brigada de 10 garçons para um número de mesas que seria atendido por 1, no máximo 2 garçons parisienses - e AI se eles errarem o ponto da carne ou a bebida pedida. Tudo isso sem 1% de gorjeta. Entende agora? Categoria que eu respeito para um caralho, galera que trabalha em restaurante.) A minha experiência, que sou cadre (o que mais ou menos é todo mundo que tem um trabalho com nível superior) é tão tensa quanto. Dois burn outs sérios, jornadas diárias de no mínimo 10 horas, um nível de pressão e clima de trabalho de merda que me faz lembrar do ambiente brasileiro ou alemão com nostalgia. Em TODAS as empresas nas quais eu trabalhei, o escritório francês era o chicote cantava mais alto e onde se terminava de trabalhar mais tarde. O numéro de vezes nos quais eu pensei "Chega, não aguento mais" e hesitei em mudar de pais europeu para finalmente ter algum equilíbrio vida profissional-pessoal, nem conto mais. Decisão bem difícil, afinal 11 anos se traduzem em amigos, em um sentimento de se sentir em casa, de dominar um idioma somente comparáveis pelos quais eu sinto pelo Brasil. (Desculpem se soa muito "pobre menino brasileiro que migrou para o primeiro mundo e reclama", afinal eu sei que a situação no Brasil é bem diferente daquela que eu deixei em 2011).

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  10. (continuação parte 2, perdão!)

    Isso, somado aos excelentes argumentos de um dos anônimos - a da chômage de longue durée e etarismo prevalentes aqui explicam a revolta popular com essa reforma. Não é somente trabalhar dois anos a mais. São dois anos trabalhando sob uma pressão infernal, correndo um sério risco de ser "forçado a demissão" ou burn out pela simples razão de ser velho.

    Um dos pilares sociais da França é a crença em que se pode ter uma economia de alta performance com um sistema de bem estar social de alta qualidade. E que se for necessário escolher entre performance ainda maior ou melhoria no bem estar social, o ultimo será prevalente. A revolta das ultimas semanas deriva do fato que esse sistema de bem estar social cada vez tem sido cada vez mais erodido sob o argumento de que precisa-se aumentar a performance. Para uma perspectiva brasileira, a preocupação francesa chega a ser ridícula. Mas para quem cresceu por aqui, a decadência é clara, forte e muito preocupante. Sobretudo com os exemplos britânico e italiano, que mostram o que pode dar errado, muito errado. Os franceses ainda se orgulham de um sistema de saúde de altíssima qualidade, do fato que os aposentados franceses possuem uma das menores taxas de pobreza da UE. Mas sabem que isso pode mudar, sabem que o sistema de educação francês foi ultrapassado, e principalmente sabem que a "French Tech" preconizada por Macron para reeindustrializar a França vai favorecer os Jean-Pierre de Machin de classe média alta para cima mais do que o francês normal.

    E, sendo sincero + para terminar, existe uma beleza em ver trabalhadores chão-de-fábrica marchando pelos melhores bairros de Paris, paralisando o país para defender seus direitos. Engraçado como ver os franceses vivendo um relativo inferno, e mesmo assim, ver o apoio aos grevistas relativamente alto. Apesar de todo os defeitos, existe uma admiração nesse país a capacidade de defender suas crenças e ideais. E confesso, isso compensa os 6 meses de tempo nublado, o mau-humor e as lixeiras queimando por essa cidade. ;)

    Em resumo, Macron está certo mas a forma com qual ele fez a reforma dá a impressão que ele pode fazer mais, sem apoio popular, e get it on with it. Non chéri, ici c'est le France.

    Fer.

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    1. "c'est LA France". :/ (Escrever em português em teclado francês dá nessas merdas ortográficas. heheeh)

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  11. 11 anos? E sabe tudo sobre a a França….

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  12. Fernando! que explicação maravilhosa, não tinha ideia das relações trabalhistas francesas, uma vez que os youtubers só falam mentiras e groselhas...

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