sábado, 4 de março de 2023

FLOR DO LÁCIO, SAMBÓDROMO

Talvez a melhor maneira de estudar a história de um páis seja estudar a história de sua(s) língua(s). O português que se fala no Brasil, que a gente acha tão tosco e sujo, é fruto de milênios de interações e deslocamentos. Começa lá atrás, no misterioso proto-indo-europeu, passa pelos celtas, romanos, suábios, árabes. tupis, bantos e iorubás, para desembocar na famosa porrrca morrrta atrás da porrrta do interior de São Paulo. Essa saga é contada em detalhes saborosos por Caetano W. Galindo, que sim, tem esse nome por causa do Veloso, e honra a paixão pelo idioma de seu xará com um livrinho obrugatório, "Latim em Pó". São pouco mais de 200 pequeninas páginas, mas o leitor fica sabendo porque a palavra "luna" perdeu o n no que viria a ser Portugal, porque nossas importações dos mouros mantêm o artigo na frente (al-godão...) e, principalmente, como que a proverbial última flor do Lácio se tornou a língua dominante desse imenos país, haja vista que as chamadas línguas gerais, de origem indígena, eram as mais faladas até o final do século 18. Além do mais, um volume importante para acabar com meus preconceitos linguísticos. Não existe sotaque mais puro, nem falar mais acertado. Se o jeito de  falar um língua se faz entender, por pior que soe aos puristas, então ele é bom.

4 comentários:

  1. Eu não acho o Português que se fala no Brasil tosco e sujo.

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    1. Procede a ideia de equivalência entre a diferença do português brasileiro e lusitano, ser idêntica a diferença do inglês americano e britânico?

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    2. Eu tb não acho o Português que se fala no Brasil tosco e sujo.

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  2. Eu fiz Introdução à Linguística e Análise do Discurso como matérias optativas na UnB. Li o famoso livro do Marcos Bagno (e tive aula com ele). Entendo o preconceito linguístico, porém, comunicação por comunicação, pode-se ficar no sim e não que estamos comunicando. E, outra, saber usar vírgulas em orações subordinadas adjetivas restritivas e explicativas faz toda a diferença.

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