quinta-feira, 2 de março de 2023

A CANDIDATA HONESTA

De "O Bem Amado" a "O Mecanismo", praticamente todo a pouca dramaturgia brasileira sobre política trata, antes de mais nada, de corrupção. Ela está de tal modo entranhada no nosso DNA cultural que é até estranho vermos um filme ou série, como a dinamarquesa "Borgen" em que os políticos são honestos e bem-intencionados. Este também é o caso do longa francês "Belas Promessas", em que Isabelle Huppert faz a prefeita de uma cidade da periferia de Paris. Maior que seu desejo de se tornar ministra ou senadora, ela quer mesmo é dar um jeito num conjunto habitacional decrépito, onde a maioria dos moradores não paga condomínio porque acha que não adianta nada, criando assim um ciclo vicioso. Não há nenhuma cena catártica, dessas que nos lavam a lama, mas o tom realista e a curta duração fazem com que "Belas Promessas" cumpra o que promete.

2 comentários:

  1. Eu, como sou cynical, acho que todos os políticos agem por interesse próprio. Logo, obviamente a prefeita tinha algum interesse nesse prédio, provavelmente ela tinha investimentos imobiliários em sua redondeza que estavam desvalorizando por cause dele.

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  2. O Brasil é um lugar estranho. Aqui, como dizem, prostituta cria vínculo, traficante é viciado, e família remediada tem de lidar com filho bastardo que não conhece o seu lugar. Esse tal DNA corrupto é só um brinde.

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