sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

QUANDO A CAUSA É MELHOR QUE O FILME

Danielle Deadwyler era tida como uma barbada para uma indicação ao Oscar de melhor atriz, talvez até favorita ao prêmio. Mas foi ignorada pela Academia, e também pelos Globos de Ouro. A culpa não é dela: sua atuação como Mamie Till-Mobley, mãe de  um adolescente negro que foi linchado em 1955, é de arrepiar os cabelos. Mas "Till" não é grande coisa como filme. O subtítulo brasileiro, "A Luta por Justiça", sugere uma batalha nos tribunais, e eles até que aparecem. Mas o foco é mesmo a dor inominável e infinita de uma mulher que perde o filho de 14 anos da maneira mais bárbara possível. São tantas lágrimas, tantos gritos, que alguns momentos beiram o insuportável - e olha que o roteiro nos poupa de presenciar a tortura a que o garoto foi submetido, pelo crime hediondo de assobiar para uma mulher branca. Spoiler óbvio: nenhum dos assassinos foi condenado. Em 2022, o judiciário do estado do Mississipi se recusou a indiciar Carolyn Beckham, a moça "vítima" do fiu-fiu de Emmett Till - hoje com oitenta e muito anos - por tê-lo dedurado aos homens de sua família. Não há mais linchamentos nos EUA, mas a polícia de lá segue matando inocentes nas ruas. A causa defendida por "Till" é nobre e urgente; o filme em si, mesmo com Danielle, nem tanto.

17 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    Horripilante história de Emmett Louis Till que inspirou Rosa Parks a seu gesto que desencadeou a vitoriosa luta pelos Direitos Civis, ainda em curso. Ao chegar da hora teremos o Brasil também visitando suas chagas raciais causando a catarse tão necessária para seu encontro como uma nação... até lá vamos vivendo esse vale tudo.

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    1. 03:41-O problema é só fazer este tipo de
      filme pra negros.É igual filmes sobre a
      Segunda Guerra Mundial-já fizeram mais
      de 300.000 filmes sobre isso-ou aquelas
      novelas da Globo sobre SP-90% são sobre
      a colônia italiana-como se SP fosse só isso.

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    2. "Filme pra negros"? Faça-me o favor.

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    3. Anon 21:09
      O Tony não merecia ter leitor com esse nível de pobreza intelectual.
      É de doer a'lma!!!!
      G-

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    4. 00:16-Baby,este filme me lembra o
      "Nada de Novo no Front"-não traz
      absolutamente nada de novo-já
      sabemos faz tempo!!!!

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  2. Danielle Deadwyler não indicada por ser negra. Quantas atrizes brancas, com atuações ruins, em filmes fracos não foram premiadas na história do Oscar ? A lista é grande. O escândalo desse ano foi enorme, sem as presenças de Deadwyler e Viola Davis. Para compensar a Academia deve dar o Oscar de coadjuvante para Angela Bassett. Como mulheres negras tem muito mais premiações em papéis coadjuvantes do que principais, a Academia passa o recado que o lugar de negras é em papéis secundários, não principais.

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    1. Pra variar,este filme tá mais pra um
      Datena,Sikera ou Bacci-ou seja,só
      lembram pra fazer sensacionalismo
      barato-eu prefiro o pai e o filho de
      "This Is Us"-seus personagens foram
      magistrais,no mínimo.

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    2. Anon 11:19
      Esqueçam Tony Goes e ouçam a Vaca Amarela, digo a 'Gado Anônima' da 11:19h.

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    3. 12:39-Deixaram outra mulher-fora da
      lista de melhor direção em 2020-Greta
      Gerwig.Machismo,a gente vê por aqui.

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    4. Machismo? No Oscar? Em 2020, o ano em que Greta Gerwig não foi indicada pelo mediano "Pequenas Mulheres", ganhou uma mulher, Chloe Zhao. No ano seguinte, ganhou outra mulher, Jane Campion. Você não é feminista: você é fã da Greta Gerwig.

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    5. Ah, e ao 11:19: "Till" não tem nada de sensacionalista. O filme é até comedido, apesar dos gritos e lágrimas. Mas é óbvio que o rapaz não viu...

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    6. 14:33-Ah,Tony-é que o Oscar gosta de
      premiar filmes de diretoras,desde que
      sejam do gosto da Academia.Se for
      faroeste ou se for de um país amigão
      do peito-tipo Coréia do Sul,então....

      Ih,a Greta tá na lista dos esnobáveis
      do Oscar,junto com Chaplin,Fernanda
      Montenegro,Hitchcock,o casal Kate
      Winslet-Leonardo DiCaprio por "Titanic",
      Cantando na Chuva e 2001-Uma
      Odisséia no Espaço-a lista é grande.

      O nome correto do filme aqui no Brasil
      foi "Adoráveis Mulheres".

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    7. 10:30-O Oscar é assim,mesmo.Jamais
      vão premiar mulher que dirige filme só
      com mulheres protagonistas.Não é só
      "Adoráveis Mulheres",não.O "ELA DISSE"
      ficou de fora do Oscar pelos motivos que
      nós,que acompanhamos cinema,sabemos
      muito bem....

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    8. Ah, não vai? Nesse mesmo ano em que a Gerwig não foi indicada, a Academia premiou "Nomadland", um filme que basicamente tem um personagem só: uma mulher, vivida pela igualmente oscarizada Frances McDormand. E a direora Chloe Zhao também foi premiada.

      Vai se informar um pouco antes de falar bobagem, bebê.

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    9. Ah, sim, e você acha que "Adoráveis Mulheres" é uma tradução correta de "Little Women"?

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    10. Ih,a Frances ganhou de duas negras-
      a Viola Davis e a Andra Day-e o povo
      reclamou,com toda a razão-em bom
      português,foi preconceito puro.É a
      Academia que tá mais pra Loucademia.

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    11. Justamente. No ano que a Academia poderia premiar o talento de uma entre duas atrizes negras, preferiu premiar uma branca, Frances Mcdormand, fazendo uma versão de seu último papel vencedor do Oscar.

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