quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

ENTRANDO NA ZONA DO EURO

O Eurovision deste ano vai ser, no mínimo, curioso. A Ucrânia venceu a edição do ano passado, mas não há a menor condição de levar o festival para lá. Aí os britânicos, que ganharam pela última vez em 1997, se condoeram. Como já existe toda uma nova geração de bibas locais que nunca viram o país virar o QG mundial da viadagem no mês de maio, o Reino Unido se ofereceu para quebrar o galho, e o ESC 2023 acontecerá em Liverpool. A organização do evento sempre teve horror a qualquer manifestação política e chegou a desclassificar a Geórgia em 2009 por causa de uma música anti-Putin. Mas agora a Rússia não faz mais parte da European Broadcast Union, e vai ser difícil controlar os protestos contra a guerra estúpida que completa um ano neste sábado.
Já começaram a pingar algumas das músicas que concorrerão. A Itália, como sempre, vai mandar a campeã do festival de Sanremo - este ano é o baladão "Due Vite", de Marco Mengoni. Mas minha favorita até o momento é a francesa "Évidemment", de La Karras, uma cantora da qual eu nunca tinha ouvido falar. Soa como Edith Piaf na boate gay, o que combina muito com o evento. Já "My Sister's Crown" do grupo Vesna, a candidata da República Tcheca - eu ainda não consigo falar "Chéquia" - tem um bom refrão, e não muito mais do que isto. Já a Espanha faz uma aposta ousada com "Eaea". A canção defendida por Blanca Paloma, um nome que parece ter saído de um filme de Pedro Almodóvar, lembra as primeiras gravações da Rosalía, que misturavam flamenco com eletrônica. Tão sofisticada que não deve ter a menor chance.  

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