quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

RETRATO DO CINEASTA QUANDO JOVEM

Um gênero cinematográfico inventado por Federico Fellini há 60 anos vem ressurgindo nos últimos tempos. O grande diretor italiano refletiu sobre seu métier em "Oito e Meio", de 1963, e lembrou de sua juventude em "Amarcord", de 1975. Agora pelo menos dois nomes de primeira linha do cinema atual embarcam nessa onda autoreferente, lançando filmes sobre si mesmos. Em "Bardo", Alejandro González Iñárritu usa um alter ego para meditar sobre até que ponto deixou de ser mexicano e se tornou americano. Em "Os Fabelmans", Steven Spielberg é mais objetivo: o filme semiautobiográfico conta, sem firulas, a história dele e de sua família. O resultado tem alguns pontos em comum com "Bardo". Algumas experiências de Iñárritu e Spielberg são inalcançáveis para quem não nasceu com um talento excepcional para o cinema. Outras, envolvendo parentes, amigos e amores, são compartilhadas por quase todos nós. Em "Os Fabelmans", é notável como o jovem Steven teve as melhores condições possíveis para desenvolver seu dom. Começou a usar a câmera Super-8 do pai ainda muito pequeno, logo ganhou seus primeiros equipamentos, e na adolescência já estava rodando autênticas superproduções caseiras, com dezenas de extras e efeitos especiais. Ajudou o fato de seu pai ser cientista e sua mãe, uma artista frustrada, ambos com a mente aberta para o novo. Mas também falta conflito no longa. Os obstáculos enfrentados por Sam, vivido por dois jovens atores que convecem totalmente como avatares de Spielberg, são risíveis. Há um drama conjugal envolvendo seus pais, bullying antisemita numa nova escola e uma namorada católica e tresloucada que é um jorro de energia. Também aparece um cineasta famoso interpretando um cineasta lendário, na cena que encerra o filme. Sentimental como toda a obra de Spielberg, "Os Fabelmans" ganhou ontem os Globos de Ouro de melhor drama e melhor direção, e é forte candidato aos Oscars. É lindo, gostoso de se ver, e um pouco comprido demais. Não inova em nada, mas reafirma o amor do cineasta - e o do espectador - pela tal da sétima arte.

2 comentários:

  1. Inova em nada,o quê.....não é filme de
    super-herói,nem é patriotada e nem é
    filme de igreja,tipo superação,portanto
    é cinema de verdade.#prontofalei

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  2. Não aceito ele ganhar melhor filme em cima de "Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo". Só se a Academia quiser babar muito o ovo do Spielberg.

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