domingo, 29 de janeiro de 2023

O CAMINHO CURTO PARA O OSCAR

Na época em que os bichos falavam e ainda não existiam plataformas de streaming, os documentários indicados ao Oscar eram tão distantes de nós como a galáxia de Andrômeda. A chance de algum deles chegar aqui, ainda mais se fosse em curta-metragem, era próxima a zero. Hoje alguns dos finalistas dessa categoria estão ao alcance de um clique. Um deles é "Como Cuidar de um Bebê Elefante", disponível na Netflix. Com 40 minutos de duração, o filme parece um episódio mais relax do "Globo Repórter", com longas tomadas de paisagens. O assunto é enternecedor: numa reserva no sul da Índia, um casal de camponeses adota elefantinhos órfãos. Habituados aos humanos desde sempre, os bichos quase que viram cachorros, seguindo os donos e respondendo por seus nomes. O espectador não aprende muita coisa, como acontecia no oscarizado "Professor Polvo",  mas fica com o coração morninho.
Bem diferente é "O Efeito Martha Mitchell", também na Netflix. Para quem não sabe: Martha Mitchell foi a mulher do procurador-geral do governo Nixon, e uma figura-chave do escândalo Watergate. Ela não tinha o menor prurido em por a boca no tormbone e contar para os jornalistas tudo o que via e ouvia nos bastidores. Julia Roberts a interpreta na minissérie "Gaslit", mas aqui vemos a verdadeira Martha em ação. Mesmo que você não se interesse pelos meandros da política americana da década de 1970, vale a pena assistir só pelos assustadores penteados da biografada, verdadeiras esculturas capilares que desafiam as leis da gravidade e do bom gosto.

6 comentários:

  1. O da Martha eu já tinha assistido, pq fiquei curioso pela personagem na época que se falou sobre a minissérie com Julia Roberts. A loucura que se impõe em espaços políticos parece ser universal.

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  2. O Mio Babbino Caro
    Um bom humor danado ou é veneno rsrsrs

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  3. Tony, já assistiu "Babilônia"?

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  4. Alguns anos atrás vi um documentário sobre uma mulher (inglesa, eu acho) que morava na África, na área rural por causa do trabalho do marido ou algo do tipo. Ela adotou uma bebezinha elefante que havia ficado órfã. Cuidou com todo carinho como se fosse um cachorrinho e onde ela ia a elefantinha ia atrás. Um dia ela fez uma viajem rápida para um casamento de uma amiga, ficou uns poucos dias fora, tranquila porque tinha deixado alguém da família tomando conta de tudo, mas foi tempo suficiente para a elefantinha entrar em depressão achando que tinha ficado orfã de novo. O animalzinho ficou tão mal que adotou uma bomba de gasolina desativada como mãe, se agarrando à mesma pela mangueira pela tromba como eles fazem no rabo da mãe na natureza e não tinha quem a removesse dali. Avisada do que estava acontecendo, a mulher viajou de volta às pressas mas foi tarde de mais. A elefantinha estava morrendo, foi só o tempo da mulher chegar. O ocorrido mexeu tanto com ela que por vinte anos ela evitava falar sobre o caso, por sentir culpa, e nesse tempo ela fundou um santuário para proteger elefantes que ficavam órfaos por causa de caçadores ou algum outro motivo. Mas os funcionários do local eram orientados a não criar vínculos com os animais para evitar sofrimentos.

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  5. Os penteados da mana até podiam ser horríveis, mas nesse trailer tem um homem de cueca vermelha que ó! Delícia, viu?

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  6. Martha Mitchell foi a pioneira do "hablo" mesmo.

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