quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

A MARMOTA NO CAPITÓLIO

A escolha do "speaker of the house", o presidente da Câmara de Deputados dos Estados Unidos, não costuma ter metade do drama que cerca a eleição equivalente no Congresso brasileiro. Como lá só existem, na prática, dois partidos, aquele que tiver a maioria dos assentos aponta seu candidato e ele é imediatamente eleito "speaker". Só que, dessa vez, o 2 de fevereiro chegou mais cedo ao Capitólio. O lendário Dia da Marmota começou na terça e não tem hora para acabar. Os parlamentares eleitos já fizeram nada menos do que onze rodadas, e ainda não conseguiram sacramentar o candidato republicano Kevin McCarthy - sendo que, sem um "speaker", nenhum deles toma posse. Tudo por culpa de 20 radicais trumpistas, que exigem concessões absurdas, como a presidência de comissões importantes e uma legislação que facilite o impeachment do presidente. A solução é óbvia: os mais de 200 e tantos republicanos moderados deveriam se unir aos democratas e eleger um nome de consenso, para neutralizar os aloprados. Mas Joe Biden não quer facilitar a vida de seus opositores, e o impasse continua. Bem feito para os republicanos: quem mandou se deixarem infiltrar pelo fascismo?

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