domingo, 15 de janeiro de 2023

A CULPA É DA COPPOLA

Em 2006, Sofia Coppola lançou um filme sobre ela mesma disfarçado de biografia de Maria Antonieta. A diretora achava que tinha muito em comum com a rainha da França, e recheou seu longa com elementos contemporâneos, como um par de tênis All-Star e música pop na trilha sonora. Não foi a primeira vez que uma obra sobre um período específico era tratada com tamanha falta de cerimônia, mas a moda se intensificou de lá para cá. Além disso, figuras históricas passaram a se tornar veículos para preocupações modernas, símbolos de coisas que nunca foram em vida. Essas duas tendências se juntam a uma terceira, a revisão da trajetória de Sissi, imperatriz da Áustria-Hungria. Depois de uma série que a mostrava como exploradora da sexualidade e outra que a pintava como ativista política, eis que surge "Corsage", representante da Áustria no próximo Oscar (e um dos 15 semifinalistas ao prêmio). Marie Kreutzer, que fez a ótima série "Nada Ortodoxa" para a Netflix, quis denunciar o etarismo e o mau tratamento às mulheres em geral, mesmo que sejam ricas e poderosas. Ao completar 40 anos, Elisabeth (o apelido Sissi não é pronunciado em nenhum momento) é oficialmente velha; nada mais se espera dela, e ela tampouco tem algo a esperar. O resultado é que a monarca espevitada vai ficando cada vez mais deprê, até desembocar num desfecho totalmente diferente do que aconteceu de verdade. "Corsage" não tem propriamente uma história, mas incongruências históricas que pouco acrescentam. A Kaiserin é filmada por uma câmera de cinema em 1878, quase 20 anos antes da invenção do cinematógrafo. Outros avanços tecnológicos que só surgiram mais tarde também dão as caras, como o telefone e um livro infantil com a capa impressa a cores. Qual a função de tudo isso? Dizer que Sissi era uma mulher adiante de seu tempo? Era mesmo: foi das primeiras a fazer regime e ginástica, na obsessão de se manter magra para sempre. Mas transformá-la em feminista dos dias de hoje soa forçado. Para piorar, "Corsage" é arrastado. Salva-se a luxemburguesa Vicky Krieps, que mais uma vez humilha o resto da humanidade ao ostentar seu talento para as línguas. Mas sua Sissi da Depressão é uma chata de galochas.

9 comentários:

  1. Sofia filma Maria Antonieta como uma adolescente dentro de uma história da Disney, bem estranho.
    Conceito de adolescência não existia naquela época, e ela era sim um animal político, e não uma princesinha incompreendida de visual romântico; se a aristocracia do mundo contemporâneo se acredita especial nos dias de hoje pelo simples fato de ter nascido assim, imagina naquela época.

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    1. sofia é uma racista sem talento veja o que kaleem aftab falou sobre a refilmagem daquele fime com clint eastwood

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    2. 18:51-Quem escreve tudo em letra
      minúscula geralmente não presta.
      É gente desprezível.

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  2. Ela inventou a dieta e academia??? oi cleopatra que aos 39 anos tentou seduzir augustos e matou o marc antony de tristreza não fazia dieta não...a austria foi um imperio durante tanto tempo tenho a impressao que a sissi serve pra auto estima dos alemaes e nao das mulheres

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  3. Acho sua análise de Maria Antonieta bastante complicada. O filme é impecável, revela um belo estudo de tendências da cultura mateiral da época (inclusive a introdução do vestido francês de campo pela rainha), dentre outras coisas. Para mim não foi um filme sobre ela mesma; foi um filme sobre uma adolescente rainha, que buscou aproximar o espectador do fato de que essa figura histórica super condenada até hoje tinha um espírito adolescente quando chegou à França. Utilizei várias vezes o filme em sala de aula nos EUA justamente pela sua precisão na parte da cultura material. Acho excelente para contextualizar história através de visuais interessantes.

    Sei que você odeia críticas, mas faz sucesso em universidades e é óootimo para ser utilizado em sala de aula. Hoje em dia teria faturado prêmios, penso eu.

    Já o novo filme, não sei se verei. Não tenho paciência com veneração de império austríaco não.

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    1. João, você era muito jovem e provavelmente não leu as entrevistas em que a própria Sofia Coppola deu sobre o filme em 2006, admitindo que tinha muito da vida dela, de garota privilegiada, em sua biopic da Maria Antonieta.

      O filme dela é bem mais fiel à história do que "Corsage". Mas termina com Maria Antonieta fugindo, dando a impressão de que a rainha teve um final feliz...

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    2. Você teve essa impressão Tony? Nossa?

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  4. João 19:37 disse tudo.

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    1. Disse tudo o que ele não sabe
      o que o Tony sabe,06:40.

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