sábado, 3 de dezembro de 2022

VAI NA FÉ

"O Milagre" é quase isso mesmo: um milagre. Um longa redondinho, ousado e tradicional ao mesmo tempo. Digo até que é o melhor de Sebastián Lelio, que ganhou um Oscar de filme internacional para o Chile com "Uma Mulher Fantástica". O roteiro é baseado no livro de Emma Donaghue, a mesma autora de "O Quarto de Jack", e também trata de uma mulher confinada. Ou melhor, uma menina de 11 anos, que atrai peregrinos à sua humilde casa no interior da Irlanda por ter a fama de não comer nada há quatro meses. O ano é 1862, e o país ainda se recuperava da fome que matou mais de um milhão de pessoas uma década antes. Um conselho de padres e autoridades chama uma enfermeira inglesa e uma freira para vigiar a garota 24 horas por dia e checar se ela está mesmo de jejum. A enfermeira é feita por Florence Pugh, uma atriz em voga que finalmente me conquistou. Com um clima semelhante ao de Kate Winslet, ela vive uma moça já sambada pela vida, com fé na ciência e muita determinação. A fotografia é primorosa e a trilha, assinada por Matthew Herbert, é a melhor do ano até agora, misturando sons clássicos e eletrônicos. A quarta parede ainda é quebrada no começo e no final, só para nos lembrar do grande milagre que é ouvir uma boa história.

6 comentários:

  1. Achei tedioso, e quase desde o começo eu me perguntei porque diabos não examinaram o cocô dela. Se tinha cocô, então não era milagre, e não precisava aquela presepada toda.

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  2. Obrigado pelo spoiler, desgraçado

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  3. Oi Tony, acho que o livro da Emma deve ter outro nome, O quarto de jacob é um livro da Virginia Woolf :)

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    1. Tens razão. Em inglês, o livro da Emma Donoghue se chama apenas "Room", o mesmo nome do filme. Que no Brasil se chamou "O Quarto de Jack". Fiquei com Jacob na cabeça porque o garoto que faz o Jack se chama Jacob Tremblay. Obrigado, já corrigi.

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  4. Excelente filme. Interpretações primorosas.

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