quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

ADEUS, LIVRARIAS FÍSICAS

Nas últimas cinco vezes em que fui a uma livraria física, não encontrei o que eu estava procurando. E olha que não estou falando de bibocas de bairro, mas da gigantesca Livraria Cultura do Conjunto Nacional, aqui em São Paulo, e sua nova vizinha, a pequena livraria Drummond. Hoje passei pelas duas, e foi a última vez. Saí de casa animado, crente que encontraria fácil as duas coisas óbvias que eu buscava: um guia de Buenos Aires, para um sobrinho que vai para lá na semana que vem, e alguma coisa da Nélida Piñon para o meu irmão. Fantasiei até que haveria um totem com todos os romances mais importantes da escritora que nos deixou semana passada, na ilusão de que a demanda por suas obras haveria aumentado. Rárárá. Na Drummond havia um único título; na Cultura, nenhum. Ne-nhum. Também quase não havia guias: os poucos disponíveis tinham cara de usados, de tão velhos. Evidentemente, nenhum para Buenos Aires, esse destino desconhecido dos brasileiros.
 
Suspirei. Não dava mais para comprar online - a entrega, agora, só depois do Natal - e eu não queria perder a viagem. Fuçando um pouco, encontrei dois livros para meus familiares, e, de quebra, um para meu marido. Fui pagar num dos poucos caixas à vista... e era um caixa exclusivo da Companhia das Letras. Só dois dos volumes que eu queria eram dessa editora. O terceiro teria que ser pago em outro caixa, sabe-se lá onde. Estressei, e eis que Matinas Suzuki Jr., diretor da Companhia, se materializa à minha frente, pedindo desculpas. Ele concordou que aquela situação não era ideal, mas que a editora montara lá um corner exclusivo para ver se dá uma levantada na Cultura. Pois por mim ela pode desmoronar e desaparecer nas profundezas do inferno. Tive uma experiência de compra horrível, e nunca mais irei lá ou a qualquer outra livraria física. De hoje em diante, só comprarei livros online. Nóis num semo tatu.

38 comentários:

  1. Eu tento, mas pouquíssimas obras brasileiras da literatura me fisgam. A última vez foi com A batalha do apocalipse, do Eduardo Soph, em 2008. O cara ainda tentou forçar uma trilogia com mais dois livros sofríveis, já que a história acabou naquele primeiro volume.
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    Tentei dar uma oportunidade para Torto Arado, mas dropei, não gosto desse treco de brasileiro misturar poesia com prosa e da quase obsessão por palavras difíceis. Pesquisando mais sobre a literatura negra, cheguei em 'NA CORDA BAMBA' de Kiley Reid, que conta a história de uma babá negra e que eu devorei em uma semana.
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    Agora estou lendo NUNCA, do Ken Follett, que tá fluindo bem. A última vez que Follett acertou foi com Queda de Gigantes (2010), mas ainda dá pra insistir nele. Já John Grisham eu desisti, o cara não escreve nada decente desde O Inocente (2006).

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    1. A pessoa acha que John Grisham é literatura e quer criticar literatura brasileira, 100or...

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    2. Quem não gostou de Dossiê Pelicano, Câmara de Gás ou O Último Jurado... Simplesmente não gosta de ler. É poser.

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    3. Se Torto Arado fosse argentino,o jênio
      do 12:52 chamaria de obra-prima.
      E esse termo dropei é coisa de jeca
      globalizado....beeeeem jeca.

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    4. Finalmente encontrei alguém, como eu, que não gostou de Torto Arado. Muito lento, quase parando e chato pacas.

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    5. Leia um pouco de Marçal Aquino, JP Cuenca, Raduan Nassar depois me conta o que acha da literatura brasileira.

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  2. Também desisti das livrarias físicas. Pois das últimas as vezes que fui também não encontrei as duas coisas óbvias que buscava e jurava que só encontraria numa livraria: a obra que eu estava procurando e um grande amor. Agora só online.

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  3. Perdeu um clientão, pq vc gasta dinheiro com essas coisas! Eu só compro usados...

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    1. Em São Paulo tem um sebo que eu acompanhava no insta e achava um charme: Desculpe a Poeira, ainda existe?

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    2. Sim, pode voltar que tem coisa boa

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  4. Bibocas de bairro. Com a palavra, a fina que acha que não existe nada que preste além dos Jardins.

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    1. Quanto desprezo e ressentimento em um termo. Muito se fala em inclusão e acolhimento quando na verdade é só fachada mesmo. Tudo o que não está na meia dúzia de bairros bacanas que de que mídia faz questão de reduzir uma cidade do tamanho de São Paulo, é tratado como exótico, periferia, quebrada ou biboca. Basicamente são uns oito milhões de infelizes que sonham toda noite em se mudar para um bairro legal, né? No fundo é só um vernizinho mesmo, que continue o sistema de castas! Se puder fique em casa (a minha empregada e o porteiro do prédio não, pelo amor de Deus!!)!

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    2. 21:04-Você não entendeu a piada.
      Explico:ele quis dizer sobre aquelas
      livrarias bem pobrezinhas que não
      são aquelas grandes e famosonas
      livrarias.Até porque,pobre no Brasil
      ou lê Bíblia ou historinhas baratas-
      geralmente vindas dos States.

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    3. Que livrarias são essas? Consegue citar uma? Pelo menos o bairro em que se encontram? Há quanto tempo o Tony entrou em uma? Isso não é piada, é só aquele nojinho de tudo o que não é da minha turma mesmo. Acontece direto. É só trabalhar em alguma multinacional ou estudar na ESPM ou em algum Insper da vida. O Brasil é um imenso público A/B, uma grande Faria Lima.

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    4. 22:01-Ué,não sabe que região de SP
      o Tony mora?Ele não vai em livraria
      gospel,que eu saiba.Affff....

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  5. Já desisti a muito tempo. A Amazon entrega em tempor recorde e MUITO mais barato

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  6. Livraria física. Gosto.

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  7. O Mio Babbino Caro
    Não faça isso Tony apesar de tudo Livrarias ainda continuam a ser mais que livrarias...O seu Pedro deve passar mal se ler suas palavras.
    Caso seguisse um pouco mais adiante na Paulista, com certeza encontraria a abastecida "Martins Fontes" ou descesse a Fradique e fosse na "Travessa" e tem mais algumas interessantes ainda pela cidade.
    Mas está sim um pouco difícil e eu que ando atrás de uma publicação da finada Cosac Naify mas os livros ainda nos merecem em suas casas físicas para encontros e cafés. As livrarias de Universidades continuam bem.
    Não desistamos desse bem!

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    1. Cosac Naify é mais fácil você encontrar em sebos, pois a editora encerrou as atividades há muito tempo. Na Liberdade tem sebos ótimos.

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  8. Martins Fontes meu amor, a Cultura está morta há anos.

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  9. Pois aqui em Brasília eu vou muito na Circulares, que é uma livraria de bairro aqui perto e que quase sempre tem o que eu procuro. E quando não tem as donas sempre têm indicações ótimas, e ainda rende uma boa conversa sobre os livros que lemos. Aliás, fui lá esta semana e estavam com vários livros da Nélida expostos. Às vezes vou também na Travessa que aqui é bem servida. Tentando evitar dar mais dinheiro para a Amazon e similares. Sem contar que a gente sempre vê uns livros interessantes na visita...

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  10. Eu compro o que posso em livraria física. Tenho meus atendentes preferidos nelas que já conhecem meu gosto e já me fizeram indicações excelentes. Evito a Amazon ao máximo e quando compro online é normalmente no site das editoras. Sim, pago um pouco mais caro mas deusmelivre morar numa cidade sem livrarias!

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  11. Desisti de livrarias físicas lá em 2010. Os preços (de capa) são absurdos e impraticáveis. Se a Lei Cortez for aprovada, os pobres que leem estão ferrados (e aí não desisto só das livrarias físicas, mas de ler no geral mesmo). Graças aos deuses foi arquivada por enquanto.

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  12. Tony descobre com 3 anos de atraso que lojas físicas são meros showrooms. Livrarias que já estavam cambaleando antes tiveram logo seu choque de monstro com a pandemia acelerando a adesão às compras online.

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  13. penso o oposto de vc assim como a loja de disco de vinil a livraria fisica é lugar de socializar e tambem de comprar algo que vc não encontraria na sua pesquisa do google encontrei um hq espanhol e um livro do ken follet só porque não busquei online offline is the new luxury mas é um luxo para poucos

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  14. Meu amigo, você vai em uma livraria que está em processo de recuperação judicial, quase falida e quer usar como parâmetro para decretar o fim das livrarias? Livraria Cultura tem nome, mas há muito deixou de ser referência. Drummond é recém inaugurada, está acertando o acervo. Com mais de 200 livrarias de São Paulo você visitar duas, do mesmo lugar e fazer um texto desse é de uma arrogância sem tamanho. Vá visitar a Livraria da Tarde, Livraria Simples, Livraria Ponta de Lança, Mandarinas, Megafauna nelas você encontra um catálogo incrível, gente que realmente entende e ama livros, além de experiências diferentes com livrarias que tem personalidade e carisma. Aliás, o Estado de São Paulo fez uma matéria recente sobre um roteiro de livrarias de rua no centro de São Paulo, é um bom começo para você se atualizar ;)

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    1. Excelente resposta. Tony não complementa o grupo global de livreiros que buscam a genuína troca em livrarias físicas. Está impaciente, apressado, além de desatualizado, na contramão do que entendemos por consumir livros. De coração, Cinira

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    2. Cultura e Drummond são as livrarias próximas à minha casa, onde eu posso ir a pé. Não vou pegar carro para ir a uma livraria em outro bairro quando o livro que eu quero está à distância de um clieque.

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  15. Infelizmente o Brasil possui 3% de leitores ativos, aumento no valor do papel absurdo nos últimos 4 anos, editoras que não sobreviveram com a recuperação judicial das duas antigas maiores livrarias do país e você desencorajando pessoas.
    Respeite os livreiros! A cultura é para todos.

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    1. Amazon em amor com tiktok vendendo livros como pedras, o serviço de logística deles é fora do padrão, mas não entendem nada do produto, se não fosse o suspiro que eles deram para as editoras se manterem não seriam elas que fazem a propaganda do produto na plataforma deles.
      Que venham títulos bloqueados para Amazon e façam tonyzinhos andarem por aí atrás de um bom conteúdo!

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  16. Caro leitor, passei por uma experiência parecida com a sua. É uma livraria não grande (área), procurei 2 títulos que queria e não encontrei….. mas …… ao conversar com o livreiro, expliquei a situação, e depois de 20 minutos de um ótimo papo, que incluiu outros 2 leitores que lá estavam, sai com 7 títulos, 2 deles antigões ( que eu desconhecia), 2 clássicos e três títulos mais atuais ( inclusive o genial “infinito em um junco” que fala sobre……). Dei 3 de presente e já li 2 (que gostei muuuuuito). Enfim, minha experiência foi incrível: tive um bom papo, descobri novos livros, viajei em uma boa leitura, ganhei uma boa curadoria (o livreiro e os 2 leitores), e….. retornei á livraria outras vezes, sendo a primeira para pegar os 2 títulos que gentilmente foram encomendados, embrulhados com um mimo ( marcador de páginas diferente)…..
    Ah…. O cafezinho que me serviram, tomado sentado em uma poltroninha, também estava “da hora”. Valeu cada centavo. Acho que tudo isso não conseguiria COMPRAR na web…….

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  17. Tony, apesar da concorrência absolutamente desleal da Amazon (que vende os livros quase a preço de custo) e apesar dos vários anos de descaso por parte do governo brasileiro (às vezes, mais preocupado em taxar o livro do que em colocá-lo nas mãos da população), as livrarias de bairro resistem. Ainda há no Brasil profissionais sérios e competentes, com administrações responsáveis e organizadas, que não apenas querem, como precisam receber leitores em seus espaços físicos.

    Leitores que sabem da importância da existência desses espaços para cultura de um país, e que apoiam a diversidade literária e o quanto uma livraria traz de vida para qualquer cidade do mundo. Livrarias como a Livraria da Vila da rua Fradique Coutinho, por exemplo. Ou a Livraria da Tarde, em Pinheiros. Espaços como a Livraria Simples, a Travessa, a Livraria Martins Fontes da Av. Paulista, a Zaccara e tantas outras. A lista é enorme, e que bom!

    Não faz muitos dias, aliás, a jornalista Maria Fernanda Rodrigues escreveu para o jornal O Estado de S. Paulo um roteiro com 12 livrarias imperdíveis para se visitar – apenas no centro da cidade! E tudo isso, para deixar a conversa somente aqui, na capital paulistana. É claro que muitas dessas lojas são pequenas e não conseguem ter nem 10% daquilo que existe publicado. Mas essa é uma realidade que vale em qualquer lugar do mundo. São milhões de títulos e, no fim das contas, uma livraria também deve prestar esse serviço e conseguir aquilo de que seu cliente precisa.

    Assim, peço através dessa mensagem que você deixe “aquele triste adeus” apenas para a voz de Roberto Carlos ou Agnaldo Timóteo e não desista. As livrarias físicas têm muito para oferecer e só poderão sobreviver se contarem com a presença entusiasmada de leitores apaixonados como você. Não abandone as livrarias de rua. Se você pesquisar além de eventuais redes sem alma, sei que encontrará lugares para lá de especiais.

    Um grande abraço e um 2023 repleto de livros (e de boas livrarias),

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    1. No dia seguinte a este post fui almoçar com uma amiga no Cuia, que fica no térreo do Copan, e comprei um livro para ela na livraria Megafauna. Por acaso, porque eu vi na vitrine. Livraria física é boa para a gente entrar sem pretensões, para espiar o que há de novo e talvez se surpreender. Mas entrar buscando alguma coisa específica é o caminho certo para a frustração.

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  18. Acho essa matéria um desserviço!

    Como consumidor de livros e jornalista acho imprudente da sua parte criar um post-blog ou como chegou até a mim, uma "matéria" decretando o fim das livrarias físicas baseado apenas e exclusivamente na sua experiência, além de ter usado apenas duas unidades como foco principal para isso.

    Todos nós que consumimos livros e passamos tempos em livrarias sabemos a muito tempo que com a chegada da tecnologia e mapas online, guias de viagens pararam de ser produzidos, pois acabaram se tornando um item arcaico para a maioria e tomaram por se extinguir. Já sobre nossa falecida Nélida Piñon, após a morte as pessoas ficam mais famosas e mais conhecidas graças a repercussão do acontecido o que faz com que mais pessoas corram atrás dos títulos da mesma, tornando-os super difíceis de se encontrar até mesmo em livrarias de grande porte. Não estou aqui para defender a Cultura ou até mesmo a Drummond, concordo com você que a cultura deixou de ser lugar a anos, hoje só possui nome e a Drummond recém inaugurada ainda procura seu espaço de reconhecimento entre os maiores nomes no mundo das livrarias mas isso não te dá passe-livre para vir decretar algo sem conhecimento ou busca alguma.

    Dá próxima vez que for fazer algo parecido, tenta conversar com mais alguém além das vozes da sua cabeça, talvez eles saibam te dar uma visão mais ampliada sobre o assunto 😉😉

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  19. Imagino que tenha feito o tipo anti-social e não se deu ao trabalho de perguntar para um(a) vendedor(a) se tinha ou não o livro.
    É o que deixa detalhado no texto. Interação humana zero.
    Fuçou até achar alguma coisa. Se prestasse mais atenção, saberia que mesmo lá fora estava difícil adquirir guias. A própria Folha encerrou a Editora Publifolha, responsável pela maioria das coleções de guias de viagem.
    Desista das padarias, porque naquela hora que vc passou não tinha mais pão quente.


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    1. Imaginou errado, mané. Perguntei, sim, aos vendedores de ambas as livrarias. "Deixou detalhado no texto"... Você precisa ler mais, se instruir mais, aprender a interpretar o que lê.

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