quinta-feira, 3 de novembro de 2022

MÉXICO DE FORA E POR DENTRO

Não sou um cineasta mexicano que se mudou para Hollywood, ganhou dois Oscars consecutivos e depois teve dificuldades para se reconectar com seu país natal. Por isto, "Bardo - Falsa Crônica de Algumas Verdades" não me atingiu em cheio. O primeiro longa de Alejandro González Iñárritu em sete anos é autoindulgente ao ponto de ser narcisista, apesar das sequências belíssimas e da câmera virtuosa. Iñárritu, um dos meus diretores favoritos (os outros são Almodóvar, Ozon, Tarantino e Scorsese), teve acesso a milhões da Netflix para concretizar seus sonhos mais loucos. "Bardo" tem cenas com centenas de figurantes, muitos efeitos especiais e um ponto de vista tão pessoal que fica difícil para o espectador se identificar com o que está sendo contado. Ajuda conhecer um pouco da história do México: o protagonista, um alter ego de Iñárritu, reimagina a invasão das tropas americanas ao castelo de Chapultepec, e tem uma discussão com Hernán Cortez sobre uma pilha de cadáveres indígenas. Também mergulha nos dramas íntimos de seu autor, como um filho que viveu por apenas 30 horas. O ator Daniel Giménez Cacho, apesar de excelente, é feio como a necessidade. Com quase três horas de duração e um roteiro não-linear, "Bardo" é o candidato do México ao próximo Oscar. A Academia adora Iñárritu, mas talvez não se renda a essa obra excessiva, maravilhosa e hermética, tudo ao mesmo tempo agora.

3 comentários:

  1. Danielito não merece a sua feiofobia

    ResponderExcluir
  2. Meu amigo, estai amargo, esse filme é uma obra de arte!!! Não deste o devido valor a algo tão grandioso, veja com calma um outro dia e verás a obra com o seu devido valor!!

    ResponderExcluir
  3. Os filmes desse diretor são bonitos mas chatos

    ResponderExcluir