sábado, 26 de novembro de 2022

JAMAIS NUNCA MAIS

Mylène Farmer anunciou que sua turnê de 2023 se chamará "Nevermore". A cantora franco-canadense não avisou se irá se despedir dos palcos, mas não duvido. Ela já está com 61 anos, e esses megashows em estádios são para corpos mais jovens - nem Madonna aguentou o tranco quando excursionou com "Madame X". Só espero que ela não se despeça também dos discos. Seu mais novo, "L'Emprise", saiu ontem, e para variar é muito bom, Quase metade das faixas são produzidas pelo francês Woodkid, como o primeiro single, "À Tout Jamais".  Duas foram compostas e produzidas pelo Moby, com quem Mylène já trabalhou outras vezes. E a melhor de todas, "Rayon Vert", ficou a cargo da dupla eletrônica AaRON, também franceses. Embora quase sempre dançável, a música de Mylène raramente é eufórica, e dessa vez ela está quase melancólica. Mas "L'Emprise" não é um álbum triste: muitas letras falam em recomeço, e a posição fetal que ela assume na capa sugere um renascimento em breve. Tomara. Cheguei à idade em que os astros da minha juventude estão todos se aposentando (Milton Nascimento, Elton John) ou simplesmente indo embora (Gal Costa, Erasmo Carlos). Que Mylène Farmer continue mais um pouco por aí, je vous en prie.

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