quarta-feira, 16 de novembro de 2022

DO MIX AO OSCAR

Eu adoraria que o Festival Mix Brasil fosse em outra época, e não na semana seguinte à da Mostra de SP. Passei da idade de emendar uma maratona na outra. Mentira. Já vi três filmes no Mix, segundo o mesmo critério questionável que usei na Mostra: candidatos ao próximo Oscar internacional. O primeiro deles foi "Girl Picture", simpática comédia da Finlândia sobre três garotas. Duas delas namoram; a terceira gosta de rapazes, mas é um desastre total, da paquera à cama. Bonitinho, mas nada de mais.
Mais emocionante é o escolhido pelo Marrocos, "A Túnica Turquesa”. Um alfaiate casado, especializado em cáftans, contrata um jovem aprendiz, e não demora para se engraçar com ele. Sua mulher logo implica com o rapaz, meio sem saber por quê, mas o destino intervém e mais não posso contar. É curioso que um país muçulmano inscreva um filme de temática gay no Oscar. O Marrocos nem é dos mais rígidos, mas isto não quer dizer que seja um paraíso para as guei. Talvez seja para o rei Muhammad VI, que frequentava a noite gay quando era estudante universitário em Paris... cala-te, boca.
O melhor do trio é um dos filmes mais lindos de 2022 é o belga "Closer", e também um dos mais tristes. A sessão à que eu fui contou com a presença do diretor gatcheenho Lukas Dhont, de apenas 31 anos. Esta é a segunda vez que ele emplaca o filme da Bélgica na corrida pelo Oscar: a primeira foi há quatro anos, com "Girl" (tem na Netflix). Agora ele provavelmente será indicado, pois "Closer" é uma beleza. Dois garotos de uns 12, 13 anos são amigos indesgrudáveis, de dormirem juntos e contarem tudo um para o outro. Não há nada de sexual entre eles, mas não demora para os colegas de escola comentarem que os dois são namorados. O filme deve entrar para o catálogo do MUBI, mas tomara que ganhe o festival e seja reprisado. Vá preparado para chorar muito, já vou avisando.

3 comentários:

  1. Tony, acho que o título do filme marroquino foi traduzido para túnica turquesa

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  2. O Mio Babbino Caro
    Vai ver que por isso, não o vi nem no Show do Gongo, com a questionável Marisa Orth.
    Os deliciosamente curtas, sem graça, continuam lá nos mostrando o doce sabor do cinema e sua magia com aqueles aplausos que só se ouve nos festivais.
    Tudo uma delícia com aquele público para amar ou odiar.
    Percebi que a idade nos deixa bem mais cético. Mas tá tudo bem!!!

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