quarta-feira, 2 de novembro de 2022

A MOSTRA DESMASCARADA - 6

Alguém aí ainda tem saco para esses posts longuíssimos sobre a Mostra, falando de filmes que ninguém vai ver? Nem eu. Mas meu contrato imaginário exige que eu comente cada um deles, então lá vai. "Os Reis do Mundo" é o candidato da Colômbia ao próximo Oscar. Dirigido por Laura Mora, o longa fala de um grupo de garotos de rua que deixa a cidade grande (não captei qual) rumo ao interior. O objetivo é recuperar as terras de onde a família deles foi expulsa por paramilitares, um drama recorrente no país. Os cinco rapazes comportam-se a princípio como meliantes, arriscando-se inutilmente e dando sobejas provas de energia masculina descontrolada. Aos poucos, vão sofrendo revezes, e o bando vai diminuindo... A infância abandonada é um tema constante no cinema da América Latina desde, pelo menos, "Pixote". "Os Reis do Mundo" honra essa tradição mas, apesar da beleza das cenas, não desce bem.
Falado em árabe, ambientado no Egito e rodado na Turquia, "Boy from Heaven" foi indicado pela Suécia para representá-la no Oscar. Isto é possível porque o país é um dos produtores do filme dirigido por Tarik Saleh, sueco de ascendência egípcia. Premiado em Cannes, o roteiro segue uma estrutura que já vimos antes em policiais: um jovem inocente é recrutado por uma associação poderosa para se infiltrar entre o inimigo. A associação, no caso, é o próprio governo do Egito, e o inimigo é a a organizacão radical Irmandade Islâmica, que deu origem a barbaridades como a al-Qaeda e o ISIS. O protagonista é um rapaz vindo de uma pequena aldeia de pescadores, admitido na escola al-Azhar - a mais antiga e prestigiosa do mundo muçulmano, e uma espécie de Vaticano dos sunitas. Quando o grande imã morre de repente, a Irmandade tem um forte candidato para substituí-lo, mas o regime quer evitar isto a qualquer custo. Com sequências de thriller de ação, "Boy from Heaven" nem parece ter a religião como pano de fundo. Deve estrear em breve, pois já tem legendas em português. Assista.
Conheci a Martina Sönksen nos meus tempos de propaganda, quando ela trabalhava na área de planejamento. Em 2010, ela largou tudo e foi estudar cinema em nova York. Voltou roteirista e produtora, e já fez série para o Canal Brasil. Também está por trás do documentário "Uýra – A Floresta Retomada", dirigido por Juliana Curi. A protagonista é uma figura interessantíssima, de quem eu nunca tinha ouvido falar: uma artista performática trans e não-binária de Manaus. Além de criar figurinos espantosamente lindos, ela também tem um forte discurso pela conservação da Amazônia. Com pouco mais de uma hora de duração, "Uýra" flui bonito. Também está na programação do próximo festival Mix Brasil, que começa dia 9/11. E lá vamos nós...

8 comentários:

  1. Pode escrever o que quiser, vc é minha leitura diária.
    E a Beijo? Pirou o cabeção! 😂

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  2. Eu adoro todos os seus comentários sobre cinema, mesmo sobre aqueles filmes que nunca verei.
    Bendito contrato!

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  3. Eu adoro! Não sei se vou assistir, mas coloquei vários na minha lista

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  4. O Mio Babbino Caro
    Rasgue esse contrato imaginário enquanto ainda é tempo e vá viver a vida, "não se importe com a maldade de quem nada sabe"
    Eu rasguei e não me arrependi.
    Rs

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    1. Só faltou aquele filme coreano chato
      que passou na Globo faz pouco tempo
      nesta lista acima.Rs....

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    2. 13:19 Vá ver filme de super-herói e não encha o saco.

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    3. 14:27-Estes dois tipos de filmes são
      chatos.Quer que eu desenhe?

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  5. Sou grato por manter esse contrato. Se rasgá-lo o fará mais feliz, que seja assim então. Por enquanto, eu agradeço pelos comentários e dicas de filmes das mais diversas nacionalidades.

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