domingo, 13 de novembro de 2022

A MOSTRA DESMASACARADA - 7

Vi "Bardo", meu último filme da 46a. Mostra Internacional de Cinema, há mais de uma semana, e soltei post a respeito no dia seguinte. Faltava falar de outros que assisti, e eu estava esperando juntar três para a última postagem desta série. O terceiro seria o documentário "All the Beauty and the Bloodshed", que venceu o Festival de Veneza e passou na repescagem, mas acabei não conseguindo ir a nenhuma das duas sessões programadas. Não faz mal: vai entrar em cartaz. Por outro lado, faz, porque agora vou violar o meu TOC e incluir apenas dois filmes nesse derradeiro texto sobre a Mostra. O primeiro deles é "Alma Viva", o candidato português ao Oscar. Portugal jamais foi indicado e nem será tão cedo, porque insiste em escrever longas meio esquisitos. Esse até que é bonitinho: uma menina que mora na França passa férias na aldeia ancestral da família, e presencia a morte da avó. Ela então descobre que tem estranhos poderes, enquanto a parentada briga entre si e a vizinhança os agride, pois a velha não tinha boa reputação. Escrito e dirigido por mulheres, claro que há uma mensagem de empoderamento, força interior e quetais. Também há muitos palavrões, que me fizeram rir bastante.
Ao completar 75 anos, um cidadão japonês passa a ter direito à eutanásia. Não só totalmente grátis, como antes ele ainda ganha mil dólares para gastar no que quiser. E nem precisa estar doente: basta querer dar um ponto final na vida, "do seu jeito". É o que diz o atraente comercial do governo. "Plano 75" parte dessa premissa intrigante: num futuro próximo (ou uma realidade alternativa), o Estado ajuda a te matar, para aliviar os serviços de saúde e as aposentadorias. Mas minha expectativa foi para um lado diferente do que o do filme, o escolhido pelo Japão para o Oscar. Há muita melancolia e solidão nos personagens que pensam em aderir ao plano, e uma certa enrolação. Ao fim e ao cabo, ninguém vai até as últimas consequências. Covardes.

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