domingo, 2 de outubro de 2022

QUE PAÍS É ESSE?

Até a tarde de hoje, estávamos consternados por um dado apavorante: segundo as pesquisas, mais de um terço dos brasileiros iria votar no Biroliro. As urnas revelaram uma verdade ainda pior. Quase metade dos eleitores é fascista. O Bozo teve mais votos neste primeiro turno do que em 2018, tanto numérica quanto proporcionalmente. Ou seja: ganhou eleitores, mesmo cometendo o governo mais desastroso de todos os tempos. Como assim? Ninguém lê jornal, ninguém vê televisão? Essa turma é imune aos fatos? Cadê os negros, as mulheres, os jovens? Não foi por falta de transporte grátis. O reacionarismo está no DNA do Brasil.

Foi excruciante acompanhar a apuração. O Arruaceiro largou na frente e demorou para ser ultrapassado por Lula. Eu, que tanto torci para que só houvesse primeiro turno, de repente me vi rezando pelo segundo. No final, o presidente ficou apenas cinco pontos na frente do atual, ao invés dos esperados 14. Lula ainda é o favorito e só precisa da metade dos votos que receberam Ciro Gomes e Simone Tebet para se eleger, mas a força do Bolsolixo surpreendeu. Mesmo depois dos 700 mil mortos na pandemia, da volta da fome, da devastação da cultura e da natureza. Os institutos de pesquisa erraram feio. Os eleitores erraram ainda mais.

Álvaro Dias chegou em terceiro no Paraná e Sergio Moro foi eleito. Marcos Pontes ultrapassou Márcio França com folga em São Paulo, mesmo tendo assistido calado ao desmonte da ciência brasileira. Damares Alves, que estaria em empate técnico com Flávia Arruda, abriu 15 pontos de vantagem sobre sua adversária no Distrito Federal. Eduardo Leite por pouco não foi para o segundo turno no Rio Grande do Sul contra o agora favorito Onyx Lorenzoni, que ainda elegeu o general Mourão para o Senado. Claudio Castro, que pode ser preso a qualquer momento, levou o Rio de Janeiro de lavada. No dia 30 de outubro, Fernando Haddad dificilmente baterá Tarcísio de Freitas, que veio menos vezes a São Paulo do que o Iron Maiden. Que porra de país é esse? Não é onde eu quero morar, mas agora é tarde para ir embora.

Dos que eu votei, só Marina Helou está garantida na Alesp. Augusto de Arruda Botelho teve 40 mil votos, mas não foi o suficiente. França já está fora, e Haddad tem um páreo duríssimo pela frente. Lula também terá, assim como todos os progressistas. Não vou desanimar, mas tá foda.

28 comentários:

  1. Eu confesso, Tony. Eu já desanimei em 2018. Não moro mais no Brasil.

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    1. Mas não pode desanimar. Morar fora não exclui a gente de ser parte do processo de mudança, uma parte infima que seja. A fila de 3 horas ontem aqui em Paris me fez pensar muito nisso.

      Democracia é um processo longo, duro e penoso. Não existe atalho. Não existe alto e baixo. Estamos no nosso baixo. Mas não é eterno.

      Tem uma frase de um politico britânico que eu amo. ""There is no final victory, and there is no final defeat." Boa para os momentos dificeis, mais uma excelente cautionary tale para os momentos felizes.

      Abração e vamos levantar a cabeça que a gente tem que desafiar muito fascista ainda.

      Abração,
      Fer.

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    2. Eu parti cedíssimo pra votar as 8h e só levei uns 20 minutos. Mas quem deixou pra mais tarde chegou a pegar umas 3h aqui também. Acho que encerrou aqui lá pelas 20h.

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  2. "Não tenho medo do que virá após Dilma"...

    ... Eu tive!

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  3. Deltan Dalagnol eleito deputado no Paraná...

    E esse senado eleito com maioria para cassar ministros do stf...

    Gente, eu não sei o que pensar. Só sentir tristeza.

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  4. Pazuello eleito!!!! e Mandetta perdeu!!!

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  5. Os historiadores vão ter que explicar no futuro assim como a Escravidão e o Nazismo, o que foi esse Bolsonarismo.

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  6. Fico pasmo de as pessoas só se apavorarem agora. Eu já me apavorei em 2016 no processo e na grotesca sessão de impeachment da Dilma. Nessa ocasião, eu já tinha uma clarividência extremamente nítida de que estávamos caminhando para um ponto sem retorno. Avisei, gritei, tentei alertar a todos que iam para a Paulista que aquilo tinha tudo para dar muuuito errado. E agora só observo - como uma Cassandra. Vontade de fugir para Buenos Aires e ficar por lá.

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  7. O pior é saber que o bostonaro pode cometer a maior barbaridade, tipo, sei lá, estuprar uma criança em praça pública, que seus eleitores continuarão acreditando na versão dele e o defendendo com unhas e dentes. Enquanto isso, Lula terá que ser impecável, andar no fio da navalha, para manter ganhar os eleitores que precisa para ganhar. E para ajudar a depressão desta segunda, ainda moro em SC. Aiaiai.

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  8. A gente vive na bolha da classe média consciente

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  9. Impossível não ficar deprimido com esse cenário...E ver a quantidade de yags que apoiam esse horror, vontade de dormir e acordar em outro planeta...Pessimista para o segundo turno...

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    1. O lado de lá, dos Minions, também está com o cu na mão.

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  10. Desde o Collor, todos os presidentes brasileiros se reelegeram, ganhando o primeiro e o segundo turno. Bolsonaro é o primeiro presidente em exercício a perder no primeiro turno, mesmo com a máquina estatal na mão. Outro detalhe é que nunca houve uma virada do 1° pro 2° turno.

    Outra coisa importante de observar é que a única vez que o PT teve mais que os 48,43% de votos no 1° turno da eleição desse ano foi em 2006, quando Lula era presidente com 85% de aprovação e teve 48,61% dos votos. Bolsonaro em 2018 venceu o 1° turno com 46,03%.

    Em número de votos, os 56 milhões de Lula desse ano são mais que os 39 milhões de 2002, que os 46 milhões de 2006, que os 46 milhões de 2010, que os 43 milhões de 2014 e que os 49 milhões de Bolsonaro em 2018. Foi um dos melhores resultados pra presidente do PT na história!

    Bolsonaro mesmo com a máquina estatal, ajudinha de empresários, fake news do PCC de última hora e o caralho a quatro é o primeiro presidente em exercício a não ganhar o 1° turno e ainda está 6 milhões de votos atrás de Lula, quando só tem cerca de 10 milhões pra jogo.

    É por isso que ontem o infame mor estava com cara de defunto se pronunciando. Ele prometeu vitória no primeiro turno pro gado. Teve minion comemorando no começo da apuração e ficando quietinho depois. Os resultados de ontem não foram favoráveis pra eles.

    Além disso, apesar das vitórias esperadas da direita na câmara e o PL com maior bancada, o PT conseguiu eleger 68 deputados, 11 a mais que os 56 da eleição de 2018, com crescimento da bancada do PSOL e PV também e ainda elegemos mulheres trans e mulheres indígenas.


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    1. Perfeito posicionamento temos dois lados bem explícito e tivemos vitórias também, agora é continuar na luta saindo das bolhas que já tinha de ter saído em 2018

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  11. Isso só prova que você envelheceu e não conseguiu acompanhar a evolução política do país. Provavelmente não está entendendo nada. O sentimento de se ver ultrapassado é mesmo terrível.

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  12. vocês acham que chamar as pessoas de auxiliares de fascistas vão fazer elas se ajoelharem, pedirem perdão e mudarem o voto. São arrogantes e prepotentes, mas nunca vão entender isso, justamente porque se acham melhores moralmente. O cancelamento do Ciro foi puro autoritarismo

    e por fim, todos os institutos erraram, exceto aqueles que são execrados como o Paraná Pesquisas e Veritá
    nem com o Datafolha ou IPEC manipulando vocês conseguiram
    Aprenda matemática pelo menos
    Daqui 30 dias vocês da burguesia cafona vão estar oferecendo bolo e café na rua pra pobre

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    1. 1. Vou ser específico onde você não foi. Se não fosse o nordeste, nenhum governo de esquerda teria sido eleito desde a redemocratização.
      2. As pesquisas que mais se aproximaram do resultado final foram a Ipesp e acreditem se quiser o Paraná Pesquisas. Em ambos os casos é bom ressaltar que elas não pegaram o voto envergonhado, que sim, foi para o Bolsonaro e não para o Lula, como se ventilava. Isso aconteceu nas pesquisas com Trump e o redesenho metodológico anunciado ainda não funcionou. Bolsonaristas mentem.

      3. Os dois lados estão atordoados no momento. Mas tudo leva a crer que o primeiro turno já foi o segundo turno.

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    2. A único pessoa que cancelou Ciro foi o próprio. Já passou por duzias de partidos de direita a esquerda. Nem ele tem certeza sobre sí mesmo. PDTista só para usar, mastigar e cuspir até o partido Next. Brizola perturbado na tumba.
      Paraná pesquisa foi o que de mais longe se aproximou da realidade. Faltou pouco mais de 1% para Lula levar no primeiro turno, exatamente a margem de erro do Datafolha, Ipesp, Quaest etc.
      A grande distorção foi justamente terem inflado Ciro com 8 a 6% e ele quase não ter chegado a 3%..

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    3. 15:02-Idiota,burro:o PDT apoiou o Ciro
      em 2002 quando ele estava no PPS.
      Se você quer o Lulla se ajoelhando pra
      Tabata Amoral,o problema é seu.
      E você baixou o santo da Lucianta
      Gimenez pra escrever em inglês-fique
      atrás de apoio de Anittas da vida que
      vocês vão quebrar a cara,petebas.

      Paraná Pesquisa é aquele instituto
      que diz amém pro Moro-Dallanhol?
      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  13. As pesquisas eleitorais foram o vexame do século!! Totalmente fabricadas desde o início. Como um candidato que não tem comícios cheios pode estar mais de 15% na frente do outro?!? Tava estranho. Vai rolar CPI. Tentaram influenciar o resultado. Quase conseguiram.

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  14. Você esqueceu de dizer que o Lula só ganha praticamente em estados pobres. Por que será? Estranho, né?

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  15. E que estado rico o Bozo mais teve voto ? Santa Catarina ? que tem a mesma renda per capita da Bulgaria ? Hahahahah

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  16. Tony, nunca é tarde para ir embora...

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  17. http://www.brasil247.com/blog/sem-ilusao

    Sem ilusão



    3 de outubro de 2022

    Manuel Domingos Neto



    "O bem que os brasileiros esperam não é o retorno quimérico ao passado, mas a ruptura com o legado colonial"



    Lula teve mais votos do que seu adversário. Governadores progressistas foram eleitos no primeiro turno. Outros, podem ganhar no segundo. O PT aumentou sua bancada na Câmara... Polianas apaziguam almas inquietas. Preferem não encarar o perigo.



    O fato é que um Mourão sem carisma toma a vaga de um ícone da resistência democrática. O impiedoso Pazzuello é campeão de votos no Rio. Um ex-juiz destroçador de empregos, de capacidades técnicas e de instituições ganha cadeira no Senado. Um destruidor de florestas e um astronauta que menospreza a ciência são consagrados no poderoso e civilizado estado de São Paulo. Um desconhecido supera Haddad se apresentando como cumpridor de “missão do Capitão”.



    Impossível menosprezar a possibilidade de reeleição do atual presidente. A maioria dos brasileiros não tem noção do que isso representa para suas vidas. Muito menos alcança a significação mundial desta eleição.



    O que as sondagens de intenção de voto não previram foi a capacidade de articulação e mobilização de uma vasta, intrincada e azeitada (endinheirada) rede de atores políticos decididamente mobilizados e sob coordenação eficiente.



    Com inexcedível capilaridade, espalhada em cada pedaço de chão, capaz de responder em tempo real aos estímulos de um emissor não claramente identificado, essa rede conduz as emoções coletivas. Sabe, inclusive, manipular jornalistas, acadêmicos e líderes políticos tarimbados.



    Por acaso, os calculadores de intenção de voto detêm o mapa das ruas do Brasil dominadas por milicianos? Teriam noção de como funciona o controle territorial estendido de norte ao sul do país?



    Dimensionariam efetivamente o poder das milhares de “igrejas” sobre milhões de desesperançados?



    Fariam uma ideia das profusas e densas correias de transmissão da desconhecida “família militar”?



    As análises do que ocorreu giram em torno de “migrações” de votos (quem teria sido beneficiado pelo “voto útil”), pendores do baronato financeiro, reacionarismo de homens endinheirados, reações de integrantes de tribunais superiores...



    Levam em conta o Brasil de verdade? Conhecem mesmo esse Brasil?



    As análises tendem a pressupor que o nordestino vota em Lula porque passa fome e é manipulável por crendices. Não levantam a hipótese de que seja mais infenso ou resiliente aos choques cognitivos ou ao pavor moral bem programado por terroristas da internet. Repelem a ideia de que o Brasil se nordestinize políticamente.



    As análises tendem a pressupor um Brasil em que os golpes se davam com mobilização de tanques, não com o manuseio de ansiedades e temores coletivos. Não captam que os comandantes militares, além de conduzir fileiras, foram treinados para conduzir operações “psicossociais”.



    A esquerda institucional parou, faz tempo, de chamar os mais sofridos à luta. Acostumou-se a convocá-los às urnas para consagrar representação política prometedora de benesses. Ora, as urnas foram arrumadas para manter a ordem iníqua. O presidente atinge o coração de muitos quando, encarnando o sistema em sua essência cruel, conclama contra o sistema.



    Contra esse farsante, Lula deve chamar o povo para mudar o Brasil, não para retornar ao tempo em que o povo comia picanha, viajava de avião e tinha chance de alcançar o ensino superior.



    A política encerra a promessa de um bem, dizia Aristóteles. O bem que os brasileiros esperam não é o retorno quimérico ao passado, mas a ruptura com o legado colonial.



    Lula deve apostar na inteligência do povo e descrever tim-tim por tim-tim o que pensa em fazer para mudar o Brasil. Ainda dá tempo.





    NÓS TEMOS 4 SEMANAS . LEMBREMOS DE COMO ERA NOSSA VIDA ANTES E COMO ESTÁ AGORA. DE COMO PODIAMOS DISCORDAR EM PAZ E SEM TANTA VIOLÊNCIA DE UM DOS LADOS. ESTEJAMOS DO LADO DAS PLARALIDADES DE VIVÊNCIAS COEXISTINDO. FAÇAMOS A COISA CERTA.

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