sábado, 22 de outubro de 2022

NUREMBERG NA ARGENTINA

A ditadura militar argentina matou muito mais gente que a brasileira, em muito menos tempo. Os milicos de lá ficaram no poder por apenas sete anos, e tiveram que sair depois que foram derrotados na Guerra das Malvinas. Além disso, também deixaram o país atolado na hiperinflação. Essa tempestade perfeita fez com que os líderes do regime fossem julgados e, vários deles, condenados. O general Jorge Videla pegou prisão perpétua e morreu em cana. No Brasil, nada parecido aconteceu. A ditadura foi acabando aos poucos, com muita negociação, e absolutamente ninguém foi punido. O resultado está aí: estamos à beira de uma nova ruptura democrática, enquanto que os argentinos, apesar de todos os problemas, jamais cogitaram a volta dos milicos. Esse julgamento à la Nuremberg está maravilhosamente bem contado no filme "Argentina 1985", que estreou por aqui sem alarde, apenas na Amazon Prime Video. É o representante dos germanos no próximo Oscar e aposto que vai ficar entre os cinco indicados. Porque é uma drama de tribunal eletrizante, mesmo com a gente sabendo como acaba - ou talvez por isto mesmo. O incontornável Ricardo Darín faz o promotor Julio Strassera com todo o star power que lhe é peculiar, e brilha na cena da acusação final: quase dez minutos de arrepiar, que arrancaram aplausos da plateia e lágrimas deste que vos escreve. Outro momento crucial do longa é o testemunho de uma mulher que deu à luz enquanto estava algemada dentro de um carro, sem que seus algozes dessem a mínima. "Argentina 1985" foi lançado nos cinemas de lá e vem arrastando multidões, mesmo já estando disponível no streaming. Também passou no Festival do Rio e foi muito aplaudido. Aplauda você também, e se pergunte por que o Brasil até hoje não conseguiu devolver os milicos aos seus lugares.

5 comentários:

  1. Por que o cinema argentino é tão melhor do que o nosso? A produção, os roteiros, as temáticas, o estilo e principalmente os atores. Eles mantém um alto padrão e uma constância. Por aqui, basicamente são comédias espalhafatosas e filmes que poderiam ter sido feitos para tv. A cada dez anos aparece um "Cidade de Deus" ou um "Bacurau " para salvar a honra.

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    1. Este tal Cidade de Deus foi dirigido por
      um paulista....os paulistas acham que
      violência só tem no RJ-burrice pura.

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    2. 13:59, eu que sou um apaixonado por cinema, me faço essa pergunta sempre, outra coisa que me chama atenção é o monopólio do Ricardo Darin. Nos mais famosos filmes argentinos, lá está ele estrelando; acho que só o Marcello Mastroianni conseguiu tal proeza na produção de cinema fora dos EUA.

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    3. Entre o final dos anos 1970 e o começo deste século só dava Gérard Depardieu no cinema francês.

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    4. Este filme acima mostrado pelo Tony
      merece ganhar todos os prêmios que
      possa concorrer.Uma obra-prima.

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