domingo, 23 de outubro de 2022

DESFRANZINDO O TRIÂNGULO

Triângulo da tristeza é o espaço entre as pontas internas das sobrancelhas e a parte superior do nariz, que franze quando não estamos felizes. O de Carl, o modelo que é um dos protagonistas de "Triângulo da Tristeza", está quase sempre franzido. Ele ganha bem menos que sua namorada Yaya, também modelo, morre de ciúmes dela e não tem outra arma além da perecível beleza para enfrentar o mundo. Na primeira parte do filme, o casal tem uma discussão épica sobre de quem é a vez de pagar pelo jantar. Mas fazem as pazes a tempo de embarcar num cruzeiro a bordo de um iate de luxo, que ocupa toda a segunda parte. Na embarcação está uma galeira de milionários asquerosos, além de uma tripulação branca e um time semi-invisível de maquinistas e faxineiros filipinos. Pairando sobre todos, o comandante bêbado e marxista vivido por Woody Harrelson. Aí... não quero contar mais nada, porque as supresas são muitas (o trailer acima dá alguns spoilers). Só dá para dizer que o filme do sueco Ruben Östlund, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano, mira um alvo fácil - os ricos - mas acerta em cheio. É um pouco longo demais, mas há piadas sensacionais e sequências antológicas, como a da morte do burro (pois é). O título mais concorrido da Mostra de SP deste ano ainda não tem data de estreia no circuito comercial, mas provavelmente terá, assim como algumas indicações ao Oscar. É meio óbvio, mas isto não diminui sua mordacidade. Saí do cinema com meu triângulo totalmente desfranzido.

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