quinta-feira, 22 de setembro de 2022

WE ARE DAHOMEY

Saí de "A Mulher Rei"com vontade de cortar algumas cabeças e gritar "we are Dahomey!". A magna opus de Viola Dais (segundo ela mesma) tem esse efeito. É um filme empolgante, sem barriga, com interpretações memoráveis. Viola está fantástica, absolutamente feroz nas cenas de ação e comovente quando precisa passar emoção. Mas não é a única protagonista: tão importante quanto a general das amazonas do reino de Dahomey é a jovem recruta Nawi, cuja origem esconde um segredo telenovelesco. Feita pela atriz sul-africana Thuso Mbedu, que tem 31 anos e aparenta 14, a personagem vai inspirar meninas de todas as cores a lutar por si mesmas. Seu love interest é um mestiço brasileiro, que fala português com sotaque - porque não escalaram um ator brasileiro? Aliás, o Brasil é o único país não-africano citado nos diálogos, e funciona como uma sombra. Afinal, é para cá que virão os prisioneiros de guerra escravizados. "A Mulher Rei" ainda tem o mérito de não tomar grandes liberdades históricas, mostrando que tanto Dahomey quanto o rival império de Oyó lucravam com o tráfico de gente. E talvez não existisse sem o sucesso prévio de "Pantera Negra", mas vai além: é o primeiro grande filme de ação protagonizado por uma preta de meia-idade.

8 comentários:

  1. Vou ver o filme. O livro autobiográfico da Viola Davis é muito bom. A miséria em que ela vivia na infância é barra pesada. É uma atriz monumental e de uma coragem rara. Ela se despe de vaidades e entrega humanidade em cenas dificílimas. É uma atriz raríssima.

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  2. O filme é mentiroso, pois o rei do filme foi um dos maiores escravistas da África. Subiu ao poder matando o irmão e o sobrinho. E quanto a estas guerreiras idealizadas, não eram como no filme. eram só assassinas treinadas a serviço do reino. Quem realmente lutou para proibir a escravidão foi a Inglaterra que estava passando pela revolução industrial e queria acabar com a escravidão para implantar o trabalho assalariado.

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    1. Você viu o filme? Parece que não, porque lá fica claríssimo que o rei do Dahomey é escravista. Quem luta contra isso é Nanisca, a personagem da Viola Davis.

      Quanto ao fato das guerreiras serem "idealizadas", bem-vindo a Hollywood, bebê. "A Mulher Rei" não é um documentário. É um filme de alto orçamento produzido por um grande estúdio.

      "Gladiador", que venceu vários Oscars, falava da luta pela "liberdade" e "democracia"no Império Romano, algo totalmente anacrônico. Ninguém reclamou. Se formos exigir verossimilhança e verdade histórica de todos os filmes de ação, não vai sobrar nenhum.

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    2. Isso não é comentário é ódio a protagonismo negro. Calma BB, você ainda vai passar muita raiva, reserva um pouco de sua saúde para os próximos que virão. Outros ouvi igual a ti e todos passarão.
      G-

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    3. "Quem lutou contra o fim da escravidão foi a Inglaterra."
      Desonestidade intelectual? Burrice? Canalhice? Todas as alternativas anteriores?

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    4. 00:18-Foi a Inglaterra,sim!Vai dizer
      que foram os americanos?kkkkkk

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  3. Uma pena que não vou mais no cinema, mas vou assistir assim que sair no streaming.

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  4. Em português dizemos Reino de Daomé mesmo.

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