domingo, 25 de setembro de 2022

POSITIVIDADE TÓXICA

No cinema americano, têm se tornado frequentes filmes que devassam o mercado financeiro, como "O Lobo de Wall Street" ou "A Grande Aposta". O gênero estreia no Brasil com "Eike, Tudo ou Nada". Baseado no livro de Malu Gaspar, o longa de Andradina Duarte e Dida Andrade narra a ascensão e queda de Eike Batista, que foi por pouco tempo o oitavo homem mais rico do mundo e hoje recorre em liberdade contra os 58 anos de prisão a que foi condenado. Nelson Freitas sai do registro habitual de comédia e está soberbo no papel-título, talvez graças ao laboratório que fez anos atrás: ele namorava Ísis de Oliveira, a irmã mais velha da Luma, ex-senhora Batista, e os dois conviveram por um tempo. Aliás, a relação de Eike com Luma não ocupa nem cinco minutos do filme, e é abordada numa canhestra sequência em que o protagonista experimenta uns óculos de realidade virtual. Parece ter sido inserida a mando dos produtores - "pô, vamos falar do Eike e não falar da Luma?". Mas o fato é que a moça pouco tem a ver com a trajetória profissional do ex-marido. O Eike que aparece na tela é um poço de autoestima e autoconfiança, e seu único pecado é ser otimista demais. Ele acredita piamente que vai encontrar petróleo nos poços que arrematou da Petrobras, contra todas as evidências. Não o vemos cometendo nenhuma falcatrua, o que torna estranho o final, quando ele é preso e tem sua careca exposta. O roteiro também não explica a razão dessa positividade tóxica e o personagem tampouco evolui. Depois de uma ótima primeira hora, o ritmo ralenta, e a derrocada que todos sabemos que virá demora mais que o necessário. Dito isto, mesmo sem arroubos estilísticos, "Eike, Tudo ou Nada" é uma bem-vinda novidade. Nem todos os nossos filmes precisam ser sobre as mazelas da classe média baixa das periferias, estrelando Grace Passô.

4 comentários:

  1. Estou aguardando sua crítica sobre a nova série do Ryan Murphy.
    Dahmer: Um Canibal Americano é o lançamento mais comentado da semana.

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  2. Eike Batista cresceu devido a influência do seu pai. Megalomaníaco, egocêntrico e cafona, a ponto de colocar um carrão importado dentro da própria sala. Picareta e mutreteiro, agiu de má -fé vendendo o que não poderia entregar e obviamente sabendo disso de antemão. O filho atropelou e matou um ciclista e nada aconteceu, assim como ele próprio que não deve ficar preso. Usava peruca!

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