quarta-feira, 7 de setembro de 2022

OS SONHOS SÃO DE MARTE

"Marte Um" tem alguma chance no próximo Oscar? Difícil dizer. Nosso representante é um filme em fogo baixo, em que nada de muuuito dramático acontece. Os problemas enfrentados por uma família negra de classe média baixa em Contagem, na grande BH (nenhuma das cidades é citada) são chatos, mas corriqueiros. O pai é funcionário de um condomínio e a mãe é diarista, mas os filhos irão mais longe: a mais velha está se formando em Direito, e o menor quer ser astrofísico e participar do projeto Marte Um da NASA, que quer povoar o planeta vermelho. São pobres, mas não tanto. A casa em que moram é confortável e tem TV de tela plana, computador e forno de microondas. Todos se amam muito, mas é claro que há conflitos. O pai quer que o filho se torne jogador de futebol, e a garota tem dificuldade em apresentar a namorada à família. Para complicar, a mãe anda tendo insônia e ansiedade, sem uma razão objetiva. Só no final é que a temperatura sobre um pouco, com várias crises eclodindo no mesmo dia - como, aliás, sói acontecer na vida real. Tudo isso tendo como pano de fundo a eleição e a posse do Biroliro. A gente fica imaginando como os quatro protagonistas se deram neste desgoverno, já que suas vulnerabilidades incluem o emprego informal, a homossexualidade e o desejo de virar cientista. Mas a força dessa família é tamanha, e são tão bons atores do longa de Gabriel Martins, que eu saí do cinema com um quentinho no coração.

3 comentários:

  1. Meu olho encheu de lágrima...
    E esse monte de preto? Que lindo!
    Tentar assistir esse e A Viagem de Pedro.

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  2. Mais um telefilme brasileiro que ninguém vai assistir. E ainda tiveram a coragem de não indicar "Bacurau" e colocaram lugar um filminho meia boca no lugar. Depois não reclamem que os filmes da Marvel nadem de braçada.

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