quinta-feira, 15 de setembro de 2022

UM, UM, CHE RABBIA ME FA

Fiz todo o segundo grau num colégio de padres, que na época só admitia meninos. O Santo Américo era um dos mais renomados de São Paulo, mas muitos professores eram medíocres. Além disso, o rígido esquema de disciplina não impedia que se soltassem bombas no banheiro. Eu sofri bullying nos primeiros anos, depois passou. Mesmo assim, não me sinto ligado a essa instituição chauvinista, nem à maioria dos meus ex-colegas. Hoje em dia são quase todos birolistas, inclusive o único negro da minha classe - o filho de uma empregada doméstica, criado pelos patrões da mãe. Minha experência até que foi light comparada às de outros lugares onde só tem homem, tipo as antigas Forças Armadas, que invariavelmente dão merda. O filme italiano "Garotos de Bem", que acaba de chegar à Netflix, conta a história de um crime horripilante cometido por aluno de um colégio de elite de Roma em 1975, mas que poderia muito bem ter acontecido no Brasil (vai ver que aconteceram vários, e foram abafados). O caso é contado em detalhes no livro do irmão de um dos criminosos e adaptado neste bom longa de Stefano Mordini. O roteiro dá uma panorâmica do colégio onde estudam os monstros, focando outros alunos e suas mazelas particulares. Também faz uma contagem regressiva a partir de seis meses antes do crime, que ficou conhecido como o Massacre de Circeo. A violência finalmente explode no terço final, quando três garotos levam duas meninas para uma casa de praia. É dificílimo de assistir, mesmo com o espectador sendo poupado das cenas mais explícitas. Muita gente talvez fuja de "Garotos de Bem" por causa dessa longa sequência, mas o fime vale demais a pena. E serve como um lembrete desconsolador de como avançamos pouco no respeito à mulher nesses últimos 50 anos.

8 comentários:

  1. Sempre achei que você fosse carioca.

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  2. Sou carioca, filho de mãe paulista e pai cearense criado no Rio. Vim orar em SP aos 5 anos de idade, mas nunca perdi contato com o Rio. Casei com carioca e voltei a morar lá entre 93 e 94. Mas já faz dois anos e meio que não vou para o Rio... que saudade.

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  3. O Mio Babbino Caro
    História de fato horripilante daria também a desse único negro estudante do Santo Américo até tornar-se birolista.

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  4. Tony, cadê sua tão aguardada lista dos candidatos do vale? Essa lista é mais aguardada que a dos indicados ao Oscar!

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  5. Morei em internato para rapazes tb e rolava muito sexo, mas sem
    Beijo na boca, pois isso é coisa de gay.

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    1. Comi muitas bundinhas que se tornaram bolsonaristas no internato.

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  6. não avançou como regrediu! existe uma conspiração contra as mulheres

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