sexta-feira, 19 de agosto de 2022

RINHA DE RAINHAS

Tomei um fartão da rainha Elizabeth 1a. da Inglaterra. Já assisti a tantos filmes, séries e peças sobre ela (a última foi "Becoming Elizabeth", na plataforma Starzplay), que confesso que não me empolguei muito com a nova montagem de "Mary Stuart", de Friedrich Schiller. Já havia visto uma há uns 20 anos, com Renata Sorrah e Xuxa Lopes nos papéis principais, e achei que não precisava ver outra. Mas acabei me animando. Fui à pré-estreia do espetáculo no Teatro do SESI, aqui em São Paulo e gostei bem mais do que esperava. A direção de Nelson Baskerville mantém o clima tenso por duas horas, mesmo a gente sabendo como aquilo vai terminar (tem até a projeção de uma contagem regressiva em minutos e segundos, para deixar o espectador ainda mais nervoso). O elenco está todo bem, mas meu destaque vai para Iuri Saraiva, que é o melhor ator de sua geração na cena teatral paulistana. É a terceira vez que o vejo, e a terceira que ele me derruba. Os cenários e figurinos estilizados remetem ao mundo de hoje, mas não tentam se sobrepor ao texto. Pela primeira vez, senti que o embate entre Mary e Elizabeth foi contado de maneira equilibrada, sem pintar a primeira como a vítima inocente da segunda. Mary, na verdade, não tinha a esperteza política de sua prima, mas cultivava a mesma ambição de reinar sozinha por toda a Grã-Bretanha e ainda restaurar o catolicismo. "Mary Stuart" é teatrão de qualidade, com ótimas atuações e forte impacto dramático. E ainda ostenta uma curiosidade: o prenome de Virginia Cavendish, que faz a rainha escocesa, só existe por causa da rainha inglesa, a suposta virgem, em cuja honra foi batizada a colônia americana da Virginia.

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