quinta-feira, 4 de agosto de 2022

GAY SEX AND THE CITY

Às vezes eu me pergunto o que me aconteceria se eu voltasse a ser solteiro aos quase 62 anos de idade. O que posso esperar além do Caneca de Prata, o tradicional bar dos cacuras no centro de São Paulo? É certo que muito garotinho curte um senhor mais velho (e mais rico), mas são eles que não fazem o meu gênero. E aprender a navegar pelo Grnd'r e quejandos, a essa altura, me parece mais difícil do que jogar Minecraft. Esses dilemas geracionais atingem em cheio o protagonista de "Uncoupled", nova série da Netflix. Michael é um bem-sucedido corretor de imóveis casado há 17 com um financista mais bem sucedido ainda. Um belo dia, o cara faz as malas e se manda, sem maiores explicações. Solteiro de uma hora para a outra, Michael divide seu tempo odiando o ex e recusando todos os excelentes partidos que pulam em seu colo. Todo mundo tem defeito: um usa PrEp, que Michael nem sabe direito o que é, outro é pegajoso, outro aperta a pasta de dente de qualquer jeito. São todos lindos e mortos de tesão pelo nota 6 Neal Patrick Harris (que pra mim tem cara de duende), e sempre cabe a elae dispensar os interessados. Não leva um único não, o que torna antipático e algo irreal. Além do mais, parece pouco disposto a experimentar novidades e a entender que o mundo mudou. Mesmo assim, há boas piadas, e uma jornada emocional interessante. O showrunner Darren Star repete, mais ou menos, o esquema que criou para sua obra-prima "Sex and The City", cercando Michael por três grandes amigos - um deles, inclusive, promíscuo e insaciável como a lendária Samantha. "Uncoupled" também extrai o máximo de glamour de Nova York, que surge resplandecente, habitada só por gente rica e sem um único homeless à vista. Não passa nem perto em explorar a solidão e a angústia das guei da meia idade, mas não é bem isso o que a gente espera de uma sitcom.

29 comentários:

  1. "Não passa nem perto em explorar a solidão e a angústia das guei da meia idade"
    Por isso tenho horror a serie gay americana propaganda de cia de seguros.
    Vi os primeiros 3 Eps e me deu sono. Nunca é para reflexão, até porque cada vez os gays refletem menos.

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    1. Doon,vai ver A Praça é Nossa-é teu
      humor que você prefere.kkkkkkk

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  2. Achei uma cópia bem ruinzinha de sex and de city; ate a música de abertura é parecida. As piadas são super sem graça e a maioria dos atores parecem que estão atuando com uma preguiça imensa. Gostei muito, nota 2.

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  3. Eu gostava de Looking na HBO. Mas durou pouco.

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    1. O unico que tinha algum pé na realidade da comunidade gay heteronormativa.

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  4. Como gay de meia idade que terminou um relacionamento longo (de 13 anos) há pouco mais de um ano, identifiquei-me com várias situações pelas quais ele passa, com algumas diferenças, claro. Os aplicativos empolgam num primeiro momento, mas depois enchem o saco, e também acho complicado sair transando sem camisinha só porque toma-se Prep (sim, eu fui a um infectologista gay, me informei a respeito, soube dos efeitos colaterais do uso a longo prazo etc). Acho que a questão da solidão do gay de meia idade poderia de fato ter sido explorada melhor, e achei as gays mais novinhas da série muito caricaturais. Além disso o subenredo do mercado imobiliário de NY ficou chato, ainda mais chata é aquela personagem divorciada. Mas, depois de todo o frenesi com aquela série adolescente (com a qual eu me identifiquei muito pouco), achei bacana uma série com essa temática. E com episódios de meia hora, dá para ver numa sentada (sem trocadilhos).

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    1. Gay de meia idade...uma das atrações das visitas ao Zoológico a noite no período de férias.
      G-

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  5. Meia idade ainda começa aos 40 ou já está na casa dos 50?

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    1. É um estado de espírito. A minha ainda não começou.

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  6. Só eu gostei. Rsrs Mas acho que podem ser feitos ajustes para se aproximar a forma de crônica da vida real com alguma fantasia, afinal ninguém é de ferro.
    A começar pelos amigos dele tendo vida própria, inclusive o amigo insaciável soou bastante fake, se as pessoas acusavam a Samantha de ser um homem travestido de mulher, eu achei ele um homem gay branco pintado de preto...

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    1. Aquilo esta longe de ser um gay preto típico em qualquer lugar do mundo...
      Falta uma sitcom gay preta com todas as dores e solidão que fazem peso em nossas vidas.

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    2. Também gostei...É leve, não tem a pretensão de ser um tratado sobre envelhecer sendo gay...E concordo com o Tony; Neil Patrick é no máximo um 6...Estranho nunca levar um pé...

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    3. Danny,Neil Patrick é comediante de
      talento-coisa que você nunca vai ser.
      Mas,pro Toninho,a Chátima Bernardes
      é que é talentosa(?).

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    4. Doon,preto sofrendo tem bastante
      naquelas novelas de época da
      Globo.ACORDA,POMBAS!

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    5. Anonymah das 14:37: Feia detected...

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    6. 15:59-Feia é a Regina Casé!!!!!

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    7. "No máximo um 6" diz a mona provavelmente magra que não tem noção da gordofobia da sociedade. Qualquer homem minimamente malhado (mesmo que não seja hipertrofiado) tá pegando mais gente do que alguém bonito com uma barriguinha.

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    8. Mas ele é nota 6 sim risos.

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    9. Joãozinho,ele é 6 mais 4.
      Beijinho no ombro.

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  7. O Mio Babbino Caro
    Você vai ser linchado por chamar os frequentadores do Caneca de Prata de Cacuras, além de não ser bem verdade. Você precisa conhecer o Caneca de lata do outro lado da Vieira. Imaginar que já teve até o Lord Byron na região...em todo caso

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  8. Achei que o Colin lembra o Bijr

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  9. Ator realmente é feio, o marido dele é bonito e ganhou um papel medíocre!

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  10. Nunca consegui usar aplicativos de relacionamento e com certeza nunca usarei caia na noite! Ou qq outra coisa os apps são muito bidimensionais o ser humano é muito mais complexo que o perfil da internet

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  11. Quero muito ver! É bem difícil navegar a ditadura do PrEP, Tony! Ótimo medicamento porém péssima cultura em torno dele. Não surpreende o surto de varíola.

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    1. Eu sempre comentei entre amigos que me encucava o fato das pessoas não pensarem que, assim como um belo dia acordaram e havia “surgido” o HIV, outra DST (ou IST, como falam agora) grave pode aparecer a qualquer momento e matar muita gente até descobrirem uma cura ou um controle. A cepa de monkeypox que está circulando pelo Ocidente não é tão perigosa e letal como a do Congo, embora no mínimo bastante incômoda. Mas quanto ao que nem sabemos? O HIV mesmo passou décadas matando várias pessoas de AIDS e ninguém nem sabia, atribuíam as mortes a câncer e pneumonia, por exemplo. Um novo vírus perigoso pode já estar em circulação, pode aparecer amanhã, mês que vem, ano que vem. O próprio HIV pode criar resistência aos medicamentos atuais de controle - lá se vão quase 30 anos da descoberta do vírus e ainda não existe cura (fora os 4 casos isolados de transplante de medula óssea). Por isso realmente me choca perceber que quem eu conheço que usa PrEP simplesmente abandonou o preservativo. Só usa se o date exigir, pra não perder a foda. E eu não estou nem falando do perigo das outras IST’s já conhecidas, como a supergonorréia resistente a 6 antibióticos e que, segundo autoridades sanitárias da OMS, pode caminhar pra se tornar incurável (já existem casos registrados de tratamentos impossíveis), e a sífilis, cujo número de casos no Brasil cresceu 16 vezes nos últimos 11 anos. Estou falando de doenças novas mesmo, do risco do desconhecido. PrEP é um grande avanço a ser comemorado, mas desvirtuaram. Tem muita gente brincando de roleta russa achando que a bala é de festim.

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