segunda-feira, 11 de julho de 2022

MESMO PROIBIDO, ACONTECE

Mesmo com o avanço do feminismo, as mulheres são oprimidas até hoje. Dois exemplos recentes são a reversão da histórica decisão Roe vs. Wade pela Suprema Corte dos Estados Unidos, que "desreconheceu" o direito constitucional ao aborto, e o caso inacreditável do médico carioca que enfiou o pau na boca de uma mulher que havia acabado de passar por uma cesariana. Se isto acontece agora, imagine 60 anos atrás, quando o aborto não era legalizado em quase nenhum país da Europa. É nessa época que se passa "O Acontecimento", vencedor do Festival de Veneza do ano passado. O filme de Audrey Diwan é baseado num livro autobiográfico da escritora Annie Ernaux, hoje com quase 82 anos. Ela conta como, aos 20 e poucos, se descobriu grávida. Sem namorado fixo e com planos de continuar os estudos, ela queria abortar, mas não encontrava apoio entre médicos, familiares ou amigos. Seu périplo durou agonizantes 12 semanas, e por pouco não acabou muito mal. Tanto sofrimento faz com que o longa não seja exatamente divertido, mas sem dúvida que é educativo. Vivemos um momento em que a mulherada pode perder de uma hora para a outra as conquistas das últimas décadas. E é bom lembrar que os gays perderemos as nossas antes.

19 comentários:

  1. O mais triste nesse filme sobre a questão do aborto na França dos anos 60, além do sofrimento excruciante da protagonista, é que ele poderia perfeitamente se passar no Brasil dos anos 2020... Lamentável que somente algumas poucas mulheres no mundo, nascidas em países desenvolvidos, possam ter o controle total de seus corpos. Lamentável também que aqui no Brasil os gays pareçam mais preocupados com a legalização do aborto que as mulheres hétero, vc não tem essa impressão, Tony?

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    1. Poucas mulheres do mundo não, meu caro. As chinesas podem abortar. As indianas podem abortar por motivos socio-economicos. A situação das brasileiras em relação ao aborto é uma exceção, um horror endêmico, motivado por machismo e religião, tipicamente latino-americano.

      Um dia estava assistindo uma reportagem na TV pública francesa sobre abusos sexuais em orfanatos e de repente o jornalista falou uma frase que me deixou olhando para a TV boquiaberto. "... com a fechamento dos orfanatos resultante da legalização do aborto voluntário em 1975...". Sim. A legalização do aborto voluntário reduziu tanto o número de crianças abandonadas que os orfanatos permanentes foram fechados. As crianças são adotadas ou colocadas em "familhas de acolhimento".

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    2. França teve divórcio super tarde, Fernando. Também é um país machista historicamente. E America Latina tem muita coisa boa. Legislação trans (Argentina, Uruguai), maconha (Uruguai). O Sul Global também pensa. É uma região altamente heterogênea. Descoloniza esse pensamento.

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    3. João,a Argentina legalizou o aborto,
      literalmente,ontem.Ah,na França,eles
      não precisam de rei e príncipe pra
      serem felizes-14 de Julho vem aí.

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    4. João, enquanto você continuar no processo "Leio e entendo o que eu quero >> Projeto o que outro pensa >> Dou palestrinha sobre colonização e pensamento woke apesar de ser branco, de familia tradicional, de classe média alta e doutorando em uma das melhores universidades americanas", não rola.

      Vive la prise de la Bastille. Un excellent 14 de Juillet pour toi.

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    5. Mas precisaram de escravos, né? Inclusive a digníssima revolução não acabou com a escravidão no Haiti. Os Jacobinos tentaram, mas...
      Não vamos passar as mãos em país colonial. O ouro de Paris veio todo daqui.

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    6. Muçulmanas também podem abortar, mas o Fe esqueceu disso...como se no país atual dele não houvesse muitos. É que não pode falar de identidade na França. São todos "franceses".

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    7. Fernando,o povo no seu país vai pra
      rua protestar-no país do João,não....
      Sentiu a diferença?

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    8. Fernando, por que a França se recusa a contar sua população de acordo com raça? Você não acha que isso melhoraria o acesso a mecanismos de saúde reprodutiva?

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    9. Eu acho incrível o caso do brasileiro periférico que vai para a França e abraça toda a ideologia do lugar. Inclusive aquela que diz que são todos franceses.

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    10. Achei que parisiense bufasse...

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  2. Pois é. Os gays têm um agravante, hoje e sempre, são minoria numérica. Na hora que rolar uma grita: pega, mata e come. Se foderão todos.

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  3. Não é se fodeRÃO é nós fodeREMOS.
    G-

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  4. As rycahs e finas se acham blindadas...

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    1. Parece ser o problema da finíssima de 20:20. A mona deve achar que está blindada de qualquer eventual retrocesso de direitos, talvez por ser hominho rico..

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    2. 07:05-Quem sofre retrocessos não
      é rico,meu caro....

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  5. 07:05 - Recomendo trocar o remédio, não teve nada no que você acusou enxergar no comentário de 20:20. Ninguém se disse blindado. E vejo mais gays defendendo abertamente o aborto que mulheres hetero também. Aliás, empatizando com qualquer causa progressista - tirando as exceções de sempre, como gente doente tipo você, que prefere ficar criando picuinha onde não existe. Melhore, viado.

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