sábado, 11 de junho de 2022

UM PAÍS DE OUTRO PLANETA

Dez anos depois do que parecia ser a terceira e última temporada, "Borgen" está de volta. Esta quarta safra temporã tem o subtítulo "O Poder e a Glória", e Brigitte Nyborg está de volta ao governo da Dinamarca. Mas não mais como primeira-ministra: agora ela é a titular da pasta das Relações Exteriores, no gabinete de uma outra PM. Todos os oito episódios giram em torno da descoberta de petróleo na Groenlândia, disputado por Rússia, China e Estados Unidos. É um interessante xadrez geopolítico, temperado pelo desejo de independência dos groenlandeses. Mais interessante ainda é o fato de Birgitte não ser mais um anjo de candura. Ela chega a mentir e a trair suas posições pró-clima para se manter no poder, e ainda enfrenta problemas com o filho ativista. Ninguém é santo, aliás, mas quase todos os conflitos são legítimos. O que mais me choca, como espectador brasileiro, é ausência total de corrupção nos meandros do palácio. Não tem rachadinha, orçamento secreto ou bolsolão. Não faço ideia do que seja viver num país assim.

16 comentários:

  1. Eles também não tem ideia de como é viver num país como o Brasil.

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  2. Eu tento, mas sempre que volto aqui tenho a sensação de estar dentro daquele meme do cara passa o dia todo com o mesmo pensamento: "Bolsonaro, Bolsonaro, Bolsonaro, Bolsonaro...". Sério, Tony, isso arrebentou com aquela sua escrita leve e fluída de tempos atrás.

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    1. Gentem, nem citei o Edaír neste post... Mas não é com a minha escrita que ele está arrebentando. É com a nossa democracia, o nosso futuro, o Brasil. Todo mundo tem que ter como prioridade neste momento a saída dele do governo, o mais cedo possível.

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    2. 06:38-Teu candidato vai perder,seja no
      primeiro ou no segundo turno,o Mijair
      vai pedir asilo na Hungria-seu besta!!!!

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  3. Acabei de maratonar a quarta temporada (fã hardcore de Borgen aqui, do tipo de rever os personagens na tela e ficar feliz de reve-los hahah). Sinceramente, excelente mas um nível abaixo do patamar imbatível das duas primeiras temporadas - o que ainda deixa a série ainda acima de 90% do conteúdo da Netflix. O foco na Groenlandia é genial e a reflexão sobre o papel e a responsabilidade dos dinamarqueses com uma ilha do outro lado do mundo é ultra pertinente num momento em que a China assina "pactos de segurança" com micro-nações do Pacifico. Qual o papel da soberania quando não se tem recursos ou se senta para negociar numa mesa com um pais de 1 bilhão de habitantes?

    E Dinamarca é linda, é fofa mas detém uma das politicas de migração mais nojentas dentro da UE junto com Holanda e Austria. O governo dinamarquês começou recentemente a revogar autorizações de asilo para sírios (excelente documentário, "Sending Aya back") e a UE teve que intervir na deportação de afegãos com o talibã às portas de Cabul. O nível de exigência é surreal, com casais que eu conheço de dinamarquês + estrangeiro indo morar em Malmö porque seria impossível conseguir autorização para morar em Copenhague.

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    1. Algo me diz que essa política de imigração é justamente para a Dinamarca continuar linda e fofa... Existe um preço a se pagar para ser lindo e fofo, e com certeza os dinamarqueses querem continar sendo lindos e fofos.

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    2. Política migratória de algum país europeu é boa? Me poupe.

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    3. Anônimo12 de junho de 2022 17:54: Entendo teu argumento, mas questionável. Suécia, Finlândia e Noruega possuem níveis equivalentes ou superiores de desenvolvimento com políticas migratórias menos absurdas. Estamos falando de um país que propôs colocar refugiados com pedido de asilo recusados em uma ilha abandonada ou de uma primeira-ministra (gente, bateu uma síndrome Luciana Gimenez, se diz primeira-ministra? - 10 anos de exílio em terras gálicas destruiram o meu português #sorry) que afirmou em 2021 que "areas de Damasco eram seguram" e começou a revogar permissões de asilo de sírios que cresceram na Dinamarca. Não dá para bancar de baluarte da democracia e desenvolvimento ao mesmo tempo que se sustenta uma política migratória estilo Trump. Europa, século XXI.

      Anônimo12 de junho de 2022 18:49: Concordo que todas são bem fdp, mas tem menos piores: condições para conseguir estadia, tempo para obter a nacionalidade, política nacional de refugiados. Alemanha escancarou as portas para os refugiados e pede 8 anos de residência para a nacionalidade mas dificulta dupla nacionalidade (o que torna a vida de muito turcos um inferno). Suécia aceita todo e qualquer refugiado ao ponto do sistema de asilo politico deles colapsar durante a crise dos sírios. França dá acesso integral ao sistema de saúde e educação na hora que se chega em território francês, permite dupla nacionalidade e exige somente 5 anos (se bem que 5 anos aguentando os franceses deveria garantir lugar no paraíso - o vinho e a comida excelentes compensam). Itália praticamente distribui nacionalidade se você provar algum ancestral que espirrou em território italiano (quantas pessoas você conhece que tem passaporte italiano e não conseguem falar uma frase inteira em italiano? Eu, cinco). E mesmo Portugal, fudido como é, liberou todos os direitos para qualquer ucraniano que chegasse (sabia que uma das maiores comunidades fora UE em terras lusas já era de ucranianos? Os velhinhos tugas precisam de enfermeiros e técnicos de enfermagem). A Dinamarca? Permitiu a instalação de ucranianos que já tivessem família na Dinamarca. Não dá, né.

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    4. Portugal "Fodido" como é? Em que mundo você vive, bebê?

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    5. Em um mundo onde eu já falei que não discuto mais contigo, cara. Me erra.

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    6. hahahaha gente...um mundo em que milhões de pessoas não têm nem banheiro em casa...Portugal tem altíssimo IDH.

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    7. Dinamarca não é linda e fofa porque mantém refugiados fora. Copenhague nem linda e fofa é. Tem uma mega boca de fumo disfarçada de comunidade alternativa com incursões policiais de dar inveja à PMERJ. A burocracia pra qualquer um, dinamarquês ou não, residente ou não, se casar é de níveis lasveguianos. Mas nem casando com um dinamarquês, sua residência lá é garantida. O custo de vida é bem alto e não tem câmbio com a DKK que disfarce que o preço do Smorbrød dá pra comprar muitos banheiros em Portugal. É linda de se visitar como uma Legoland, mas termina aí. Não gostaria de morar lá.

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  4. Dinamarca não tem corrupção dentro do próprio país.
    Porém, empresas e o governo dinamarquês são bem famosinhos pelas propinas que eles pagam mundo afora principalmente em países que estão sob sanção do Banco Mundial ou da UE.
    Por exemplo, uma das maiores empresas da Dinamarca foi processada pela justiça brasileira por estar envolvida num esquema de corrupção descoberto durante a lava jato.
    A Dinamarca, não corrupta, tira bastante proveito da nossa corrupção.

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  5. Me lembro de uma reportagem de uma jornalista da Globo na Suécia. Acho que Cláudia Wallin.. Perguntou como era o sigilo fiscal dos parlamentares, a deputada sueca disse que não existia sigilo fiscal nem bancário para parlamentares porque depois de eleitos, são obrigados a prestar contas ao público. Se vira para a jornalista brasileira e pergunta: - No Brasil é assim também ? Não é ? Como se fosse a coisa mais normal do mundo .. :/

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    1. Aqui na França passou uma reportagem sobre a Finlândia umas semanas atras (uma coisa meio "como os finlandeses vivem, aguentam 3 horas de sol no inverno e se preparam para eventual invasão russa"). Pelo que parece, na Finlândia a) a primeira-ministra passou por um escândalo chamado "breakfast-gate" por ter uma ajuda de custo de 300 € para o café-da-manhã (ou seja, 10 € por dia, o que deve dar para UM frappucino-extrashot-venti + UM pão de canela num Starbucks de Helsinki) e b) em um determinado dia do ano, a receita federal da Finlândia libera TODOS os dados da declaração de renda de TODOS os finlandeses (ou seja, nesse dia os jornalistas fazem plantão para publicar matérias tipo "a influenciadora Boca-Rosa tem uma renda de somente 25.000 € anuais, coitada ela é uma pobre").

      Se ajudar a se desesperar menos com toda essa transparência escandinava, titio Macron teve la pachorra de declarar nas últimas eleições aqui na França um patrimônio de 500.000 €. O equivalente do preço de um apartamento de 50m2 em um bairro nível Catete-Glória de Paris, no mercado imobiliário atual. Macron, garoto-prodígio do ENA, que teve uma carreira meteorica no banco Rothschild. Aham, sei.

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    2. E daí,Fernandinho?Você acha que o
      Macron viveria numa mansão enorme
      como os ricos americanos/brasileiros?
      Nem todo rico é Trump,ora,bolas.

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