sábado, 18 de junho de 2022

GIVE ME MY CHA CHA

Um personagem incontornável do cinema independente americano é o rapaz sensível, tão inteligente que não sabe o que fazer na vida. Os filmes que ele protagoniza costumam ser autobiográficos, escritos, dirigido e estrelados por alguém que se acha tão bacana quanto. A mais recente encarnação desse arquétipo é o animador de festas - sim, esta profissão existe - de "Cha Cha Real Smooth: O Próximo Passo", que venceu o prêmio do público  no último Festival de Sundance e estreou ontem no Apple TV+. O diretor, ator e roteirista Cooper Raiff diz que escreveu o filme inspirado em sua irmã deficiente, e de fato a filha da mulher por quem seu alter ego se apaixona é autista (feita por uma atriz autista, como manda o figurino atual). Mas "Cha Cha", na verdade, é sobre esse sujeito incrível. Bonito, simpático, bom ouvinte, defensor das vítimas de bullying e ainda por cima ótimo dançarino, capaz de tacar fogo no mais caído bar mitzvah. Como que alguém tão sensacional não tem um emprego decente, ou nem mesmo uma namorada? Não ajuda em nada o fato de sua amada, vivida por Dakota Johnson, ser 10 anos mais velha e ter um noivo. Mas por baixo de tanto açúcar há momentos realmente tocantes. Na verdade, "Cha Cha Real Smooth" é uma história de amadurecimento. E eu tenho lugar de fala para dizer: esse processo não acaba nunca.

6 comentários:

  1. O que tanta gente não aprendeu nos últimos anos não é mesmo? Eu sempre fui comunista

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  2. O Mio Babbino Caro
    Vou resumir bem resumidinho, pra mim, a conclusão que cheguei depois de ler essa crítica: "Quero morrer amiga do Tony".
    rs

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  3. Cadê os filmes gays. Tantos ganharam prêmios, eu queria ler suas críticas...

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  4. One, two, cha-cha-cha

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  5. Tony, nunca chorei tanto vendo um filme.

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  6. Como você é jovem. Mal sabe o que te espera.

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