segunda-feira, 27 de junho de 2022

CORRA, JULIE, CORRA

Todo mundo já viveu uma fase em que tudo dá errado e o universo parece conspirar contra nós. Julie Roy passa por esse inferno astral no ótimo filme "Contratempos", em cartaz no Festival Varilux. Mãe de dois filhos, ela mora numa pequena cidade nos arredores de Paris e precisa ir todo dia à capital, onde trabalha como chefe das camareiras em um hotel de luxo. Um emprego muito aquém de sua formação, mas foi o que ela conseguiu - além do mais, o ex-marido não paga a pensão com pontualidade, e a coitada vive atrasando as prestações da casa própria. Até que pinta uma chance: uma entrevista para um ótimo posto, numa grande empresa do outro lado da cidade. O problema é que ela vai precisar dar uma fugidinha do hotel para conseguir comparecer, e é claro que justamente neste dia estoura uma grande greve de transportes públicos. A ação de "Contratempos" se passa ao longo de uma semana e, a cada dia que passa, Julie precisa correr mais, mentir mais para seus chefes, se afundar mais em dívidas. O ritmo frenético de sua epopeia é acentuado por uma trilha eletrônica co-assinada por Thomas Bangalter, ex-Daft Punk, e o resultado é um thriller da vida real. Uma mulher lutando desesperadamente pela sobrevivência, fugindo de assassinos implacáveis: o capitalismo, o sistema disfuncional, o machismo estrutural, o egoísmo generalizado. Laure Calamy, a secretária da série "Dix pour Cent", mais que mereceu o prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza do ano passado, e está em todas as cenas dessa montanha-russa. Cheia de momentos que desafiam o espectador que só queria se distrair um pouco, mas profundamente humana. Vá ver correndo.

9 comentários:

  1. é impressao minha ou finalmete vc virou anti capitalista? aleluia! axé! fora capitalismo um sistema burro que não ajuda ninguém

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    1. 23:22-Vá pra Coréia do Norte e chore,o
      Toninho não vai pra onde você quer ir.
      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  2. A descrição parece ótima, mas só de imaginar já tenho medo de assistir e ter uma crise de ansiedade

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  3. Tony, este filme está disponível para assistir sob demanda em algum lugar?

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    1. Anda não. Está passando no Festival Varilux e depois deve entrar em cartaz nos cinemas.

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  4. Um dos maiores privilégios aos quais eu agradeço eternamente é morar em Paris zona 1. Só quem mora aqui entendo o pânico que é escutar o anúncio de "En raison d'un mouvement social la circulation vers Paris est interrompue. Nous vous invitons à utiliser un itinéraire de substitution" / Devido a manifestações/protestos, o trajeto para Paris está interompido. Convidamos (os passageiros) a utilizarem um trajeto alternativo. O perrengue parece nada com a trajeto casa-trabalho do brasileiro médio, mas imaginar isso em uma cultura paranoica com a pontualidade... inferno.

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    1. Fernandinho,a França virou uma Argentina
      mais chique-os britânicos não viraram uma
      República e não entraram em decadência
      como o país do outro lado do Canal.....
      Deus Salve a Rainha!!!!!!!

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    2. Aham. Um londrino não-milionário super consegue morar em Londres zona 1 (sejamos sinceros: até na 2 tá foda). O preço do passe mensal todas-as-zonas em Londres nem custa £400, quase 5 vezes mais do que em Paris. Londres nem destruiu um dos mais lindos skylines do velho mundo para construir um bando de torre estilo Shenzhen. Birmingham é aquele primor de cidade que deixa mesmo Lyon no chinelo. O Reino Unido tá OTEMO.

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  5. Eu ainda não decidi se te acho chato/pedante ou é inveja minha por não ser eu, morando na França... 😂😂😂

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