segunda-feira, 25 de abril de 2022

SEGUNDA-FEIRA DE CINZAS

O desgoverno Biroliro foi tão sombrio que teve só três carnavais, um deles fora de época. Este, se a Deusa quiser, foi a última vez em que as escolas de samba precisaram tirar sarro do Despreparado na avenida: ano que vem ele não estará mais entre nós. Foi também um carnaval de resistência cultural. A falta de patrocínio de grandes empresas evitou enredos esdrúxulos como o cabelo, financiado por uma marca de shampoo em 2011, ou barbaridades ainda maiores, como a Vila Isabel cantando as maravilhas da PDVSA, a estatal petroleira venezuelana, ou a Beija-Flor desfilando todo o encanto e a magia da Guiné Equatorial, uma das mais sanguinárias ditaduras da África. Sem dinheiro no bolso mas muita raiva no coração, as escolas se voltaram para as raízes negras, para a ancestralidade africana, e não faltaram orixás como Omulu ou Oxóssi para irritar os teocráticos. Também sobrou piada com o Edaír. Na mais icônica delas, ele vira jacaré depois de ser "vacinado" por uma trans. O Quinta-Série ainda passou recibo, tuitando que o desfile da Rosas de Ouro foi ruim. Faltou dizer também que foi feio, bobo e mau.

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