terça-feira, 12 de abril de 2022

SE AGATHA CHRISTIE FOSSE VIVA

A maior escritora de romances policiais de todos os tempos sempre incluiu as novidades de sua época em suas histórias. O rádio, os aviões e até mesmo crimes inspirados no noticiário aparecem em muitos dos livros de Agatha Christie. Portanto, é batata concluir que, se ela estivesse viva em 2022, a internet já estaria incorporada ao seu imaginário. Digo tudo isto porque o filme francês "Os Tradutores" tem uma estrutura totalmente agathachristiana, com todos os supeitos trancafiados no mesmo local. O longa esteve em cartaz no final do ano passado e ainda não está disponível no streaming, mas ontem eu consegui vê-lo na sessão de segunda-feira que o crítico Miguel Barbieri vem promovendo no Reserva Cultural, aqui em São Paulo. Fui pelo elenco, que reúne Sidse Babett Knudsen, a primeira-ministra de "Borgen", e meu amado Eduardo Noriega, e acabei me divertindo muito. O roteiro gira em torno do terceiro e último volume de uma série best-seller. Para evitar vazamentos online, o editor do livro reúne nove tradutores num bunker secreto - tem até uma portuguesa entre eles. A ideia é que, com muitos mimos mas sem acesso à internet, eles terminem o trabalho em dois meses, para o livro ter um retumbante lançamento mundial e simultâneo. Só que, mal começa a faina, um hacker ameaça liberar as 100 primeiras páginas se não receber logo cinco milhões de euros. O editor conclui que esse hacker só pode ser um dos tradutores, mas qual? Lá pelas tantas, graças a um flash forward, fica claro quem matou, mas não quem morreu, nem como, nem por quê. Com edição ágil e algumas pistas falsas, "Os Tradutores" não chega a ser um enigma para quem foi criado a leite de Poirot (eu matei a charada bem antes do final). Mas é um bom filme, com bons atores e boa direção. Agatha Christie se orgulharia de assinar o argumento.

9 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    Que presente ganhar uma crônica ou seria uma crítica dessas num final de tarde. Tão bom viver, para degustar uma leitura onde tudo flui tão deliciosa e delicadamente embasado no pequeno milagre de conviver socialmente, conhecer o assunto e ter oportunidade de compartilhar disso tudo com outros que também gostam de tudo isso. Eis aí o melhor remédio para os males do corpo, fazer o que se gosta e amar os que nos amam, mesmo que as vezes eles nos machuquem um pouquinho, pois a gente sabe que o amor é egoísta e gostaria que o outro fosse totalmente...amor

    (O por quê do, "tem até uma portuguesa entre eles" rs)

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    1. Compartilho aqui a mesma alegria.
      Muito obrigada, Tony!
      🙌

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    2. O Mio Babbino Caro

      Isso é crítica de cinema,não é texto
      de crônica romântica.Vada a bordo!!!

      PS:o italiano misturou Santo Daime
      com chá de cogumelo...

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  2. O chantagista é o escritor do livro.
    😂😂😂
    P.S. Não assisti ao filme.

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    1. Espero que isso não se prove um spoiler, ou ficarei devetas #chatiado ;P

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  3. Como assim você não mencionou o fofinho do Alex Lawther (o tradutor britânico do filme, o garoto do episódio "Shut Up and Dance" do Black Mirror)? :)

    Segundo uma entrevista dele no Le Quotidien, ele aprendeu francês para esse papel. E de tão brilhante que é, agora ele fala fluentemente. Certeza que ele vai aparecer cada vez mais nos filmes desse lado do canal da Mancha.

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    1. Jura que ele não falava francês antes desse filme? Impressionante. Eu jurava que era falante de berço. Esse garoto tem um ou mais Oscars em seu caminho.

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  4. internet=caso snowden só serve pra espionar o individuo

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  5. sempre que escuto eduardo noriega a letra suja de um funk vem a minha cabeça

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