domingo, 17 de abril de 2022

O PREGO NO CAIXÃO DA DITADURA

Em 1984, a ditadura militar estava nos estertores. Todo mundo era contra o regime, inclusive quem tinha apoiado o golpe de duas décadas antes. Nada como uma inflação de 200% ao ano para fazer as pessoas mudarem de ideia, não é mesmo? Naquele ano eclodiu o movimento pelas Diretas-Já, e quem foi que os milicos colocaram para conter a turba? O general Newton Cruz, o sinistro chefe do SNI. Naquela época nem havia ainda o conceito de media training, mas era disto que Nini precisava. A maneira truculenta como ele tratava a imprensa funcionava como uma propaganda às avessas para o regime militar. Ele virou a cara da ditadura e foi vencido pela história em 1985, quando o último Colégio Eleitoral elegeu Tancredo Neves. Nos anos seguintes, emergiram detalhes dos muitos crimes que o meganha cometeu: a cumplicidade no atentado do Riocentro, as mortes do jornalista Alexandre Baumgarten e sua mulher, a destruição de milhares de papéis comprometedores para a milicada. Newton Cruz era um exemplo puro-sangue do que de pior existe no Exército brasileiro, e infelizmente deixou muitos seguidores. Mas finalmente morreu ontem, aos 97 anos mal vividos, sem jamais ter sido punido pelas barbaridades que praticou. Esse foi o grande erro da Nova República: passar pano para os militares, ao contrário do que aconteceu na Argentina, que julgou todos. Pergunta se por lá eles estão com medo de um novo golpe.

Um comentário:

  1. O Mio Babbino Caro
    Que a terra lhe seja pesada e que os Milicos dessa farra atual sejam alcançados pela justiça.

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