quarta-feira, 13 de abril de 2022

NAVALHA NA ÓPERA

Como que ninguém havia transformado em ópera uma peça de Plínio Marcos? O universo do dramaturgo é povoado por marginais e prostitutas, figuras que também aparecem em clássicos como "Tosca" e "La Bohème". O Theatro Municipal de São Paulo finalmente teve essa ideia, e fez sua primeira encomenda depois de 111 anos. O resultado é o "double bill" composto por "Navalha na Carne" e "Homens de Papel", que fica em cartaz até amanhã. Fui ver ontem e gostei. As duas peças viraram óperas curtas, de um único ato com cerca de uma hora de duração. "Navalha" ganhou música atonal de Leonardo Martinelli, que não é exatamente agradável de se ouvir - mas é bom sair de vez em quando da nossa zona de conforto. "Homens de Papel", um texto que eu não conhecia, ficou um pouco mais melodiosa, composta por Élodie Bouny. Levar essas duas navalhadas seguidas é de deixar qualquer um tonto, até porque a realidade nelas retratada só piorou nos últimos 50 anos (as pecas são de 1967 e 1968). E ainda tem a estranheza de se escutar coisas como "viadagem" e "pau na bunda dele", típicas de Plínio Marcos, bradadas no palco do glorioso Municipal.

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