quinta-feira, 7 de abril de 2022

CÍLIOS, MELHOR NÃO TÊ-LOS

Jessica Chastain mereceu o Oscar de melhor atriz e todos os outros prêmios que recebeu por "Os Olhos de Tammy Faye". O filme finalmente chegou ao Brasil pela plataforma Star +, depois de ter sua estreia nos cinemas anunciada algumas vezes. Trata-se da cinebiografia da televangelista Tammy Faye Baker, que já havia sido tema de um documentário do mesmo nome. Ouvi falar da moça pela primeira vez nos anos 80, quando ela estava no auge da fama. Ela e o marido Jim, ambos pastores, faziam tanto sucesso na TV que chegaram a ter seu próprio canal. Criaram um template que depois foi copiado no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Tammy era um fenômeno diante das câmeras. Um talento tão inato quanto o de Hebe Camargo, capaz de sugar as atenções feito um buraco negro. Cantava, usava fantoches, brincava com a plateia. Enquanto isso, Jim pedia doações sem parar. O império erguido pelos Bakker começou a ruir ainda naquela década, quando surgiram denúncias de malversação de fundos e casos extraconjugais de Jim, inclusive com homens. O casal se divorciou e Tammy ainda amargou alguns anos de ostracismo, mas já havia deixado sua marca na cultura pop americana. Mais especificamente, seus olhos hipermaquiados, com cílios postiços exagerados que lhe davam um ar eternamente vulgar. Seria muito fácil interpretar um personagem desses em tom de paródia, mas Jessica Chastain não faz isto em momento algum. A atriz não julga Tammy Faye: ao contrário, mostra que a fé da pastora era mesmo para valer, assim como os demônios que a acossavam. O mais curioso é que eu não acho que a Jessica seja muito carismática na vida real - ela até exala uma certa frieza - mas sua Tammy é um vulcão em erupção. "Os Olhos de Tammy Faye" é um bom filme, e já valeria a pena só por causa dos figurinos absurdos. Mas também conta em detalhes a vida de uma figura controversa, valorizada por uma das maiores interpretações do ano.

2 comentários:

  1. A Debora Falabella tb é assim, quietinha na vida real e um furacão trabalhando!

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  2. E ela também é o mais inesperado ícone aliado dos gays americanos. Um bem-vindo oposto à infame Anita Bryant.

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