domingo, 24 de abril de 2022

A FRANÇA INSUBMISSA

A extrema-direita perdeu mais uma. A França não se submeteu. Por mais que a imprensa diga por aí que Marine Le Pen bateu na trave, as projeções apontam quase 17 pontos de diferença entre ela e Emmanuel Macron. É bem menos que os 33% de cinco anos atrás, mas ainda um gap colossal para qualquer escolha entre dois candidatos. Ainda faltam as eleições legislativas de 12 de junho, mas duvido que os reacionários consigam um resultado expressivo. Os neofascistas estão em decadência desde a derrota de Trump em 2020, e duvido que cheguem ao poder em qualquer democracia importante. Não é um processo linear, haja vista a vitória de Orbán na Hungria no mês passado, mas sinto que é irreversível. Por isto, desconfio que não se deu a devida atenção à verdadeira novidade dessa votação francesa: a ascensão de Jean-Luc Mélenchon. O candidato do partido de extrema esquerda La France Insoumise não passou ao segundo turno por coisa de um ponto percentual, e ele é muito popular entre os jovens - que vão estar vivos daqui a cinco anos, ao contrário de muitos eleitores de Le Pen. O próprio Mélenchon não deverá mais concorrer por causa da idade, mas o sentimento anticapitalista da garotada não deverá amainar. É uma grande mudança generacional, e seus efeitos ainda estão por vir.

9 comentários:

  1. O Brasil ainda pode ser considerado uma democracia importante?

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    1. Sim, somos mais de 210 milhões de brasileiros e nossa economia (ainda) está entre as 10 maiores do mundo.

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    2. Acrescentando a fala do Tony, digo ao anônimo das 16 que ainda somos uma democracia. Ela anda combalida com tanto ataque sórdido, mas está fazendo o que pode para se manter.

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  2. Lula também perdeu 3 vezes até ganhar.

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  3. Concordo contigo sobre a importância do Mélenchon nessas eleições, mas tenho as minhas duvidas se o resultado da extrema esquerda se deve a um sentimento anticapitalista da garotada. O Mélenchon era "a unica alternativa" em uma eleição que opunha uma fascista a um candidato com dificuldade/falta de vontade de lidar com questões sociais. O famoso voto de contestação. Talvez a maior lição a ser aprendida é que mesmo um politico velho de guerra como o Mélenchon consiga se comunicar com essa geração TikTok quando bem orientado. Pena que ele esteja velho demais para se representar.

    Até porque o que me preocupa é 2027. Somente em um cenário extremo o Macron consegue reeleger um sucessor. Os atuais possíveis candidatos da esquerda e direita moderadas são mais do mesmo. Marine talvez decida passar o bastão para a sobrinha, Marion Maréchal - muito mais inteligente, articulada e com um background "fascista de business school".

    Mas a hora é de estourar o champagne. :) Agora pela França. E espero muitíssimo que em Outubro, pelo Brasil. :)

    Fer

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    1. Quando a França começar a contar seus negros e outros não brancos, aí comemorarei. Para quem não sabe, acham que todos são franceses 🤡 e não fazem censo 🤡

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  4. Fernandinho,a familia Le Pen é a nossa
    familia Bozo-só tem fascistas um pior
    que outro.E "anticapitalista" é gente
    que dá pra caber em duas Kombis.

    JE SUIS MACRON!!!!

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  5. Nunca acreditei na balela do capitalismo como brasileira vi as horríveis consequências desse sistema burro feito pra abastecer o ego de homens primitivos e inseguros de perto. Desde o pós guerra a situação piorou muito não existe mais prosperidade nem pra classe média a vida está cara difícil e o trabalho não é gratificante muitos largam tudo pra abrir uma barraquinha na praia ou viver de trabalhos alternativos. Sinal dos tempos. Outra coisa qdo criança lembro de ver peito de fora e tapa sexo no carnaval na avenida hoje ninguém paga peitinho qual é o problema? Estamos mais caretas? Sou mulher feminista e não vejo nada de errado em ficar nua no carnaval adoro a libertinagem

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