quinta-feira, 3 de março de 2022

WE DON'T TALK ABOUT GEORGIA

Coitados dos georgianos. Eles se sentem europeus, mas a recíproca não é verdadeira. A Georgia está longe demais dos grandes países da Europa Ocidental, e nunca teve um papel importante na história do continente. Por isto que ninguém deu a menor pelota quando o pequeno país do Cáucaso foi invadido por tropas russas em 2008. Seu pecado foi pleitear a entrada na OTAN. Mas Vladimir Putin não quis nem saber: arrancou duas regiões de maioria russa do norte do país, a Ossétia do Sul e a Abkhazia, e as declarou repúblicas independentes. O autocrata da Rússia achou que a invasão da Ucrânia seguiria um script parecido, mas errou rude. Em toda minha vida, nunca vi o mundo tão unido contra alguém. Enquanto isso, a Georgia foi jogada às traças. Embora branco, cristão e falando uma língua indo-europeia, o povo de lá não é visto pelos ocidentais com a mesma compaixão que dedicamos aos ucranianos. Agora eles pediram para entrar na União Europeia, mas o timing não poderia ser pior. Continuaremos não falando sobre a Georgia.

4 comentários:

  1. Não acho que o timing foi o pior. Pq, neste momento, Putin está distraído com a Ucrânia. E mesmo que ele resolva reagir, invardir 2 países ao mesmo tempo é muito complexo.

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  2. O Mio Babbino Caro
    A fantasia Europeia continua a seduzir 'Latinos' deslumbrados e muitos 'Snow Niger', sei dessas infelizes almas.

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  3. Já que na Ucrânia não foi concretizado o resultado que a mídia ocidental projetou, lembremos da Georgia.

    Mesmo com "o mundo tão unido contra alguém", Putin já ganhou. É questão de tempo e logo o assunto sai da pauta de prioridades.

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  4. A onda de solidariedade europeia pela Ucrânia é sim de fazer inveja aos atingidos pelas demais guerras recentes. Pode dizer que parte disso é racismo, maior identificação entre Ucranianos e demais europeus, ou pura e simplesmente desgosto coletivo pelo Putin ou tudo isso junto.
    Me dá enjôo sempre que aparece alguém com "mas e a OTAN" ou "o que o Ocidente fez que causou a atual guerra". Mas que o esforço fraternal dos demais europeus pra ajudar a Ucrânia é desproporcional em relação aos outros conflitos recentes no quintal europeu, ah, isso é.

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