segunda-feira, 7 de março de 2022

INVENTANDO SIMON

Além de terem enganado dezenas de pessoas e embolsado milhares de dólares usando identidades falsas, os vigaristas Anna Delvey e Simon Leviev têm outra coisa importante em comum, que os tornam frutos do nosso tempo: ambos usaram o poder da internet para construir suas imagens sedutoras. A estelionatária russa, cuja história é contada na série "Inventando Anna", tinha no Instagram a arma indispensável para projetar sua vida imaginária de glamour. Já o israelense se vendia no Tinder como o herdeiro de um império de diamantes, em busca de uma alma gêmea com quem compartilhar suas aventuras e sua fortuna. Só agora, depois de mais um mês do filme ter chegado à Netflix, é que fui assistir a "O Golpista do Tinder", e gostei muito do formato escolhido. Deixar que três vítimas do pilantra contassem seus dramas em primeiro pessoa, expondo conversas pessoais e fotos íntimas, leva o espectador diretamente à dor vivida por essas mulheres. Uma delas nem achava que estava namorando: Simon era só um amigo muito divertido, a quem ela não hesitou em ajudar num momento supostamente difícil. Espanta a falta de empatia do sujeito, que deixou inúmeras garotas por toda a Europa atoladas em dívidas. Espanta ainda mais o fato de ele estar livre, leve e solto, depois de apenas cinco meses preso por usar um passaporte falso. O cara roubou algo como 10 milhões de dólares, e agora se tornou uma celebridade que negocia livremente os direitos de sua própria história. Isso também diz muito sobre a nossa época.

3 comentários:

  1. A impunidade (no macro e no microcosmo das coisas aparentemente normais do cotidiano da pessoa comum) é a pior mazela. Se estes caras saem ilesos e, ainda, se beneficiam, onde estamos vivendo afinal? Como viver e conviver neste caos? É dá-lhe narcisismo desenfreado.

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  2. nao existem vitimas ..... somente candidatos ...

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  3. Palmas para o diretor desse filme - não sei o nome. O formato é inserir características ficcionais e cinematográficas, com superposição de imagens, para dar ideia de movimento. Não deixa de ser impressionante que o whatsapp possa reunir tanto material para um filme - audios, vídeos, fotos. Uma boa dica para novos diretores: o material que vcs precisam já está no seu celular. É só decupar.

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