terça-feira, 22 de março de 2022

I MAY DESTROY YOU

Eu estava empolgadíssimo com "A Idade Dourada". Sou viciado em "Downton Abbey", e queria ver o que o roteirista Julian Fellowes faria com a aristocracia de Nova York do final do século 19. Foi a época em que magnatas fizeram fortunas, mas penaram para ser aceitos pela esnobe elite da cidade. Só que o primeiro episódio da série me desapontou um pouco. Achei novelão demais, com diálogos dignos do Walcyr Carrasco de tão óbvios. Agora suspeito que só ali teve a mão dos executivos da HBO, pois os capítulos seguintes foram ficando cada vez melhores. O ápice foi o de ontem, o nono e último dessa primeira temporada. A senhora Bertha Russell, riquíssima porém mal-nascida, conseguiu, através de uma ligeira chantagem, arrastar para o baile de debutante de sua filha ninguém menos do que a senhora Caroline Astor, a imperatriz informal do soçaite novaiorquino. A primeira é fictícia, mas inspirada em Alva Vanderbilt. A segunda existiu mesmo, e era chamada de Lina pelos últimos - tal qual essa grande dama dos dias de hoje, Linn da Quebrada. Agora, tem coisa mais provinciana do que um lugar onde uma única dama detém o poder de decidir quem é "bem" e quem não é? Dizem que a alta sociedade de Nova York podia ter apenas 400 integrantes, pois esta era a capacidade máxima do salão de festas da sra. Astor. A treta com a sra. Russell também é baseada num caso real, mas é duvidoso que as protagonistas tenham travado um diálogo tão ferino quanto seus avatares na tela. "Você está ciente de que eu posso te destruir, se eu quiser?", rosna Lina, em pleno baile da rival. "Claro", responde Bertha, "mas você não fará isto. Nós somos parecidas demais. E eu posso ser uma boa amiga, se você me deixar".

A chegada de parvenistas é um tema que soa fútil para os dias de hoje, mas Jean-Michel rendeu grandes obras na literatura. Como o livro "A Idade da Inocência", de Edith Wharton, ou a novela "Os Ossos do Barão", de Jorge Andrade, baseada em sua peça do mesmo nome. Esta última trazia o conflito para a São Paulo de meados do século 20, com os autodeclarados quatrocentões discriminando os imigrantes e seus filhos, apesar desses serem muito mais ricos do que os primeiros. Eu cheguei a presenciar essa mentalidade dentro da minha própria família. Minha mãe é quatrocentona por parte de pai e, por parte de mãe, descende de dois governadores do estado de São Paulo, Carlos de Campos e Bernardino de Campos. Já meu pai, embora nascido em Fortaleza, era um carioca da Tijuca, muito bem educado mas sem berço engalanado. Acredita que minha avó, que não tinha onde cair morta, o esnobou durante muito tempo? Papai levou uma vida requintada e sempre nos deu de tudo, mas não chegou a construir patrimônio. tudo que ele deixou quando morreu foi um título do Country Club, que precisou ser vendido e dividido entre os cinco filhos. Mas o caso dele não contraria a regra imutável: o dinheiro sempre vence. De nada adianta os antigos socialites reclamarem. O dinheiro sempre vence.

4 comentários:

  1. "Ain,parece novela do Walcyr Carrasco...."

    Bom são as novelas crentes da Record,só
    quem assiste essas merdas são evanjegues
    que roubam no MEC.kkkkkkkkkkkkkk

    ResponderExcluir
  2. Impossível não lembrar do filme 'A época da inocência', baseado no livro da Edith Wharton que vc falou, é um Scorsese mais morno, mas o elenco segura a onda.

    ResponderExcluir
  3. Revolução comunista já!

    ResponderExcluir
  4. Parece a história dos tijucanos que nunca foram aceitos pela descolada Zona Sul… Muitos ficaram hiper ressentidos com isso, como a família tijucana dos Bolsonaro. O resultado está aí…

    ResponderExcluir