quarta-feira, 2 de março de 2022

HABU NO TIBETE

"Tintin no Tibete" talvez seja o mais belo, e com certeza é o mais espiritualizado, dos 24 álbuns estrelados pelo jovem repórter belga. Tem as montanhas muito brancas, que significam tanto purificação como a morte... a busca pelo amigo perdido, que também é uma procura por si mesmo... o abominável homem das neves... Alguns desses elementos estão presentes em "Viagem ao Topo da Terra", que venceu na semana passada o César de melhor longa em animação. O filme está dando sopa na Netflix há uns dois meses, e só agora eu me toquei de sua existência. É realmente muito bonito. O traço remete às bandes dessinées mais realistas, como "Blake e Mortimer", mas o roteiro é baseado num mangá, que eu não conheço. Os personagens principais são todos japoneses, e é curioso ver todos falando francês. Num bar em Kathmandu, um fotógrafo jornalístico é abordado por um alpinista chamado Habu, que tenta lhe vender uma câmera supostamente encontrada no cadáver de um explorador inglês a caminho do Everest. As fotos podem provar que o cara foi o primeiro a conquistar o pico mais alto do mundo, mas o fotógrafo desconfia e recusa a oferta. De volta a Tóquio, ele fica obcecado em reencontrar o tal alpinista, que vive há anos recluso numa aldeia do Nepal, por causa de um acidente traumatizante. Depois de algumas idas e vindas, os dois partem rumo ao Everest. Apesar de algumas cenas de tirar o fôlego (e morrer de aflição, porque eu tenho medo de altura), "Viagem ao Topo do Mundo" é lento e solene. Não entrei na chave emocional do filme, pois não sou uma pessoa muito zen. Ainda prefiro as aventuras de Tintin.

2 comentários:

  1. Interessante. Vou colocar no meu watch list.

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  2. O Mio Babbino Caro
    É maravilhosa a afirmação artística das BD.

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