sexta-feira, 25 de março de 2022

ESTRELAS NO ESCURO

Existe um formato de entrevista chamado "roundtable", ou mesa redonda. Ele é muito usado quando o entrevistado é uma megacelebridade, sem tempo nem saco para 300 conversas individuais. Antigamente, funcionava da seguinte maneira: ao redor de uma mesa, sentava-se o ator (muitas vezes, mais de um), um assessor de imprensa e de quatro a seis jornalistas. O papo fluía bem, embora eu ainda prefira o one-on-one. Tudo isso evaporou com a pandemia. Agora, as grandes produções internacionais promovem roundtables via Zoom, que estão mais para imensas coletivas. Participam de 25 até 200 repórteres - que tal? E forma-se uma fila, com cada um sendo chamado para fazer uma única pergunta e pronto. Claro que não dá certo. Já participei de algumas, e o resultado é sempre frustrante. Temos que ouvir um monte de gente despreparada fazendo perguntas idiotas, e esperar com paciência pela nossa vez. Que, às vezes, nem chega. Foi o que aconteceu ontem. Marcaram uma roundtable com três atrizes famosas, para o horário ingrato das nove da noite (elas estavam em Los Angeles). Passei metade do dia em função disso, vendo os episódios da série que elas participam e fazendo pesquisinha. Queria estar preparado! Mas claro que, quando chegou a hora, o troço atrasou uns quarenta minutos. Quando finalmente começou, uma das estrelas havia feito forfait, e as outras estavam sem vídeo. Escuridão total. Pior: as duas falavam bem longe do microfone, e simplesmente não dava para ouvir nada. Depois de uma hora de tortura, a roundtable acabou. Não tive a chance de fazer minhas perguntas geniais, que mudariam o curso da história. Mandei e-mails mal-criados e estou puto até agora. Nunca mais vão me chamar para nada.

2 comentários:

  1. O pessoal não estava com a mínima vontade de fazer essa roundtable.

    ResponderExcluir
  2. O Mio Babbino Caro
    Fez muito Bem, que não chamem mais, mesmo porque a chance da situação se repetir é grande (Puro palpite rsrs)

    ResponderExcluir